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Proteção e Produção Integrada – Princípios

Como já foi oportunamente divulgado no DICA, no âmbito do projeto PERVEMAC II decorreu de 20 a 22 de março, no auditório da Secretaria Regional de Agricultura e Pescas, as Jornadas Técnicas de Produção Integrada, onde se abordaram os problemas fitossanitários das culturas da bananeira, abacateiro e mangueiro, com vista exatamente à redução de riscos e efeitos para a saúde humana e o meio ambiente.

O encontro, que foi dirigido a Técnicos da Direção Regional de Agricultura e da Gesba, contou com intervenções de Investigadores e Técnicos da Universidade dos Açores, da Direção Geral de Agricultura do Governo de Canárias e da Direção Regional de Agricultura da Região Autónoma da Madeira.

Neste artigo, publica-se parte do resumo da apresentação relativa aos princípios da Proteção e Produção Integrada.

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Figura 1 – Observação Visual das folhas de uma árvore de fruto

A planta cultivada desde sempre surgiu como alvo de todas as atenções do agricultor, ocupando o centro do ecosistema.

O conceito de proteção integrada não é novo, surgiu há muitos anos ainda com a denominação de luta integrada (Amaro, 2003), definida como “ um processo de luta contra os organismos nocivos utilizando um conjunto de métodos eu satisfaçam as exigências económicas, ecológicas e toxicológicas, dando caráter prioritário às ações fomentando a limitação natural dos inimigos das culturas e respeitando os níveis económicos de ataque (OILB/SROP, 1977)”.

Este conceito permitiu identificar os componentes de um ecosistema agrário e conhecer o ambiente e a dinâmica das populações dentro deste.

Esses componentes são: a estimativa do risco (quantitativa e qualitativa) que se traduz na pergunta óbvia de qualquer um de nós perante uma problema fitossanitários que é saber qual é, se é muito extensivo e como progride, a utilização do nivel económico de ataque e a tomada de decisão (avaliação global dos prejuizos e ponderação dos custos de implementação das medidas previstas) resultante de uma avaliação se a ameaça é tolerável e a escolha racional dos meios de proteção (tendo em atenção o conceito acima exposto e uma prévia ponderação dos aspetos ecológicos e económicos) dando resposta rápida ao que fazer perante esta ameça que surgiu na nossa cultura e quepodem ser culturais, genéticos, biológicos, biotécnicos e químicos (seletivos de preferência).

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Figura 2- Aspeto de armadilha Cosmotrack usada na monitorização do gorgulho-da-bananeira. (Fonte: projeto BIOMUSA)

Na estimativa dos risco, temos a estimativa quantitativa que inclui a seleção dos métodos de amostragem que vamos utilizar, sejam eles diretos (exemplo: observação visual) (Fig.1) ou indiretos (exemplos: armadilhas utilizadas na monitorização do gorgulho-da-bananeira) (Fig. 2) e na estimativa qualitativa, com base na análise dos fatores de nocividade, em muitos casos encontram-se referências ao registo dos parâmetros climáticos através de EMA’s (Fig. 3) e à sua utilização na previsão do aparecimento dos problemas fitossanitários (pragas e doenças).

 
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Figura 3 – Estação meteorológica de leitura automática
(EMA) colocada no campo.
Fonte: projeto INTERFRUTA II)

Dentro dos diferentes meios de proteção que o produtor poderá utilizar como estratégia de proteção das suas culturas temos: os biológicos, que incluem os artrópodes entomófagos (parasitóides e predadores) e microorganismos entomopatogénicos; os biotécnicos , que compreendem as hormonas , precocenas, antiquitinas, as feromonas, as substância esterilizantes (luta autocida – libertação de machos esterilizados – exemplo projeto Madeira - Med) (Fig. 4) e os inibidores de alimentação; os genéticos, que se baseiam no uso de variedades resitentes a aguns probelmas fitossanitários e, os culturais que compreendem as rotações, a solarização e o enrelvamento (Fig. 5) entre outros e os químicos (com a utilização de produtos seletivos de preferência).

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Figura 4 – Avião utilizado na dispersão aérea dos machos esterilizados no programa Madeira-Med (Fonte: projeto MADEIRA –MED)

No entanto, embora em posse de todo este conhecimento e por força da Diretiva do usos sutentável dos pesticidas (Diretiva 2009/128CE de 21 de outubro) transposta para o nosso país pela lei nº 26/2013 de 11 de abril que determina a obrigatoriedade da aplicação dos princípios da proteção integrada continua a faltar a passagem de informação aos agricultores alvo de todo o trabalho da investigação aplicada e dos serviços de agricultura, pelo que é forçoso desenvolver um trabalho integrado com uma nova vertente extencionista junto do agricultor entre as diversas áreas do saber desde o clima passando pelo estudo do solo e sua fertilidade, produção e trabalhos culturais até à componente fitossanitárias com a monitorização e acompanhamento dos probelmas chave das culturas e caminhando no sentido , nesta vertente da criação de um serviço de avisos agrícolas , ferramenta essencial ao técnico e ao produtor, depois de apreender os conceitos e princípios para caminhar no sentido da adoção plena da proteção e produção integrada das suas culturas. Paralemante, é forçoso a criação de manuais técnicos adaptados às caraterísticas próprias das culturas de cada região, promover encontros e fóruns de discussão entre técnicos e entre agricultores como forma de divulgação e informação prática produzida sobre as diversas culturas e seus problemas fitossanitários-chave entre outros.

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Figura 5 – Aspeto do enrelvamento de pomares. (Franco et al., 2006 – Agro 29)

Numa próxima edição do DICA apresentaremos a continuação e conclusão desta apresentação.

David João Horta Lopes*
*CE3C – Centre for Ecology, Evolution and Environmental Changes
Universidade dos Açores

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