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Alerta aos apicultores – Loque americana

apicultura loque americana A Loque americana é uma doença bacteriana produzida pelo bacilo Paenibacillus larvae, um microrganismo móvel, com cerca de 2,5 a 5 micros de largura por 0,4 a 0,8 micros. Uma característica fundamental de P. larvae é a formação de endósporos, extremamente resistentes ao calor (30 minutos a 100 ºC e 15 minutos a 120 ºC), aos desinfetantes químicos, ao cloro, à radiação UV (20 minutos), iodados e água quente com qualquer aditivo. Os esporos de Paenibacillus larvae podem permanecer infetados por mais de 40 anos, ainda que se veja diminuída a sua visibilidade logo neste período.

Prevenção

Os apicultores devem inspecionar os seus apiários periodicamente, em especial na Primavera, altura mais crítica e em que existe mais criação na colónia. Todos os quadros de criação devem ser vistos cuidadosamente, pois quanto mais cedo se detetar a doença, menores serão os seus efeitos. A transferência de quadros de criação deve ser evitada sempre que se suspeite de Loque Americana. Todo o material deve ser limpo e desinfetado. Sempre que optar por alimentar as suas colónias com mel, deverá usar mel da sua exploração.

A Loque americana não tem tratamento. Os antibióticos usados erradamente não combatem a doença, porque não são eficazes contra os esporos. Por outro lado, deixam resíduos no mel e na cera.

 

Para evitar que a doença se propague, o apicultor deve proceder à queima das colónias infetadas, enquanto as caixas e as alças podem ser passadas a fogo (com um maçarico, por exemplo), dado que apenas assim se consegue eliminar os esporos de Loque americana das madeiras, pois estes são altamente resistentes a químicos.

Em Portugal, a Loque americana é uma doença de declaração obrigatória, pelo que deve contactar a Direção Regional de Agricultura para esse efeito.

No caso de deteção da doença

- Feche a colmeia, ou reduza a entrada, e tome todas as medidas que considerar necessárias para prevenir a sua pilhagem por abelhas de outras colónias;

- Desinfete as luvas e todo o material apícola antes de examinar as restantes colónias desse ou de outros apiários;

- Não movimente as colmeias afetadas, as abelhas ou qualquer equipamento do apiário infetado, até que a doença esteja controlada;

- Destruição por meio de fogo das colónias doentes, sendo sempre esta a melhor opção para erradicar a doença. Para o efeito, deve fazer-se um buraco na terra com um diâmetro de acordo com a quantidade de material a queimar e com aproximadamente 60 a 70 cm de profundidade. Sobre o centro, colocam-se dois ou três paus verdes ou barras de metal, onde se colocará o material a ser queimado. Depois, deve eliminar as abelhas, mediante a utilização de um inseticida ou de um pano embebido em naftalina (300 ml). Uma vez verificada a eliminação das abelhas, deve proceder à queima dos favos, abelhas e quadros. Se o material de madeira não for incinerado junto com as abelhas, deve desinfetar-se ou esterilizar-se perfeitamente. Durante o processo de queima, deve evitar-se que o mel seja derramado fora do buraco. Uma vez finalizada a incineração, deve tapar-se o buraco, a fim de evitar a pilhagem do mel, cera e própolis, que não tenham terminado de queimar. Este sistema é recomendável quando a incidência de Loque americana nos apiários for superior a 5%, ao ano.

Vítor Castro
Direção Regional de Agricultura

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