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Direção Regional de Agricultura promoveu as 1.as Jornadas Técnicas da Anona da Madeira

JTA 2 A Secretaria Regional de Agricultura e Pescas, através da Direção Regional de Agricultura, promoveu no passado dia 21 de fevereiro, as 1.as Jornadas Técnicas sobre a Anona da Madeira, sob o lema “… muito mais que um superfruto!”.

O Diretor Regional de Agricultura, Eng.º Paulo Santos, fez o ponto da situação do Plano Estratégico para a Anona da Madeira, aprovado pela Resolução do Conselho do Governo n.º 968/2015, de 10 de novembro, e que visa a criação de condições que promovam o aumento do volume e da qualidade da produção, bem como a melhoria da comercialização de Anona da Madeira, de molde a que, tirando proveito dos seus atributos diferenciadores, obtenha uma vantagem competitiva sustentável, quer no mercado local quer nos mercados exteriores.

Em pouco mais de dois anos, foram aprovados 22 projetos de investimento agrícola (dos quais três em modo de produção biológico) para a cultura da anoneira, que representam uma área aproximada de 4 hectares que obtiveram um apoio financeiro na ordem de 1 milhão de euros. Além disso, de acordo com o número de anoneiras vendidas pelos viveiros da DRA e em termos de objetivo do aumento de área de cultivo de 115 para 150 hectares, alcançou-se em 2017 23% da área pretendida para 2020 (cerca de 8 hectares).

Após o intervalo da manhã, teve lugar o painel “À mesa com…”, moderado por Luís Reis, da RDP-M, e que contou com vários agentes relacionados com o setor agrícola em geral e a cultura da anoneira em particular, como o Eng.º Paulo Santos, Diretor Regional de Agricultura, Eng.º Marco Gonçalves, Gestor do PRODERAM, Dr. Jorge Dias, Gerente da GESBA, Octávio Freitas, Chef de Cozinha, Eng.º Jordan Andrade, produtor de anona, Jose Rubia, empresário espanhol, que comercializa anona em fresco e derivados, e o Eng.º João Luís Sousa, da SantoQueijo.

Do debate, ficou patente que existem muitos jovens agricultores que querem apostar nesta fruta subtropical, que se deve explorar as potencialidades do mercado local, quer por parte dos residentes, quer por parte dos visitantes. Porém, as grandes superfícies exigem ao produtor que este entregue os frutos em excelentes condições de comercialização e consumo, mas quando observamos as prateleiras dos supermercados, essa realidade é bem distinta, pois não há cuidado na colocação e no seu manuseamento, pelo que deverá haver maior sensibilização e formação por parte dos colaboradores daquelas empresas da distribuição. A importância da logística e da distribuição interligadas foi indicada como chave para o sucesso comercial, assim como a importância nutricional e vitamínica da anona, desmistificando-se que “a anona engorda”, pois em 100 gramas de polpa, encontram-se apenas 75 calorias. A SantoQueijo ensaiou uma sobremesa com polpa de anona, requeijão e iogurte e que pode ser degustada ao final da tarde na atividade “Sabores da Anona”. Foi sublinhada a importância dos hotéis e restaurantes, bem como das escolas, de terem anona às refeições, pois seria uma forma de diversificar a oferta gastronómica e de escoar as produções agrícolas. Foi ainda sugerido que se distinguisse os hotéis e restaurantes que elaboram ementas com 50% ou mais de produtos agrícolas da Região, de modo que se criasse um saudável ambiente de competição em prol da produção regional.

 

JTA 10 Na parte da tarde, o Eng.º Emilio Guirado Sánchez, da Estação Experimental La Mayora, em Málaga (Espanha), distinto especialista na cultura da anoneira com uma experiência de 30 anos, proferiu uma conferência de grande nível técnico, fazendo uma passagem completa por todos os aspetos culturais da anoneira, na região de Málaga. Como novidades técnicas, apresentou a polinização manual com recurso a uma máquina que, através do fluxo do ar, separa os estames das peças florais. Além disso, em vez de um pincel, é possível recorrer-se agora a um aplicador de pólen de origem japonesa, que é muito mais preciso e eficaz que o anterior método.

A anona espanhola é constituída essencialmente por duas variedades: “Fino de Jete” (98% da produção) e “Campas” (2% da produção). Recentemente, resultante de hibridações, obtiveram a variedade “Alborán”, com características diferentes das existentes, sendo mais uma alternativa varietal.

Neste momento, com recurso à prática cultural da poda total (eliminação dos ramos do ano anterior), têm conseguido prolongar a época de colheita até março/abril, com um pico de produção em janeiro/fevereiro.

No final da conferência, houve lugar a comentários por parte do Eng.º Rui Nunes, Diretor de Serviços de Desenvolvimento de Agricultura (DSDA), que referiu a importância da presença de determinadas espécies de coleópteros na época de floração da anoneira, cuja presença se intensifica com a presença de frutos (ananás, banana, maçã) que estejam fermentados e que, ao colocar-se aqueles frutos no pomar na época da floração, ocorre maior vingamento de frutos.

A uma questão colocada sobre a intensificação nos últimos anos das cochonilhas de corpo mole e duro (vulgarmente conhecidas como “lapas”) nas anoneiras da Região, e apesar da poda ser recomendada anualmente para diminuir a presença daqueles insetos, não sendo suficiente, aquela praga compromete seriamente a quantidade e qualidade das produções. Na resposta, foi avançado pelo DSDA que os serviços estão a ensaiar um novo produto para combater as cochonilhas e que será submetido brevemente à aprovação da Direção Geral de Alimentação e Veterinária, no âmbito dos usos menores.

As 1.as Jornadas encerraram com o Secretário Regional de Agricultura e Pescas, Dr. Humberto Vasconcelos, que referiu ser um privilégio contar nesta iniciativa com dois dos mais conceituados técnicos da cultura da Anoneira a nível mundial, o Eng.º Emilio Guirado Sánchez e o Eng.º Rui Nunes, além deste tipo de iniciativa dar notoriedade a um fruto cujo nome é Denominação de Origem Protegida (DOP) desde 2000, e que tem potencial para crescer, quer localmente, quer para o mercado externo, como já aconteceu no passado.

Por último, decorreu a iniciativa “Sabores da Anona”, com a degustação de diversos produtos à base daquele fruto e que contou com a colaboração da empresa SantoQueijo e da Associação de Barmen da Madeira.

Joaquim Leça
Direção Regional de Agricultura

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