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A Anona da Madeira

anona da Madeira ERPASS 2 A anona madeirense (Annona Cherimola Mill.) é originária dos vales das terras altas da Cordilheira dos Andes, com destaque das zonas do Peru, Bolívia e do Equador. Foi introduzida na Madeira no século XVII por madeirenses que voltavam da América do Sul e, segundo consta, foi muito apreciada pela Rainha Victória.

A anoneira adaptou-se facilmente ao clima da Madeira por encontrar condições semelhantes às da sua área geográfica de origem, sendo que a maioria dos pomares se encontra no concelho de Santana. Em 2000, a União Europeia concedeu à anona da Madeira o estatuto de Denominação de Origem Protegida, a primeira fruta regional a receber tal grau de proteção internacional.

A anona tem uma pele lisa com formações em forma de “U”. A sua polpa é densa, farinhenta, dura e doce, com algumas sementes pretas. Tem um sabor distinto e agradável, sendo muito apreciado por uma quantidade significativa de pessoas.

Valor nutricional:

A anona possui aproximadamente 78% de água e cerca de 75 kcal por 100 gramas. Na sua composição destacam-se a riqueza em hidratos de carbono simples e complexos, a vitamina C, que é um potente antioxidante importante na formação de colagénio e na manutenção da saúde da pele, músculos, ossos e cartilagens, a vitamina B6, cujo consumo é fundamental para o metabolismo das proteínas e glicogénio, o potássio, que é essencial para a manutenção de uma pressão arterial normal e ajuda a regular a quantidade de água no corpo, e ferro. Destaca-se ainda o seu teor em fibras insolúveis, que são preponderantes para o estímulo da motilidade intestinal e facilitam a proliferação das bactérias não agressivas na flora bacteriana, contribuindo para a proteção da parede do cólon.A anona tem também na sua composição duas classes de fitoquímicos: os flavonoides, representados pela epicatemia, a quercetina e a kempferol, e a classe das acetogeninas em altas concentrações, a qual, segundo alguns estudos, podem possuir efeitos anti-inflamatórios.

A anona, como tem um sabor agradável e um elevado valor nutritivo, é muitas vezes utilizada em casos de desnutrição por falta de apetite.

 

Cuidados a ter:

Há, contudo, alguns cuidados a ter quando se come anona. Esta fruta tem duas características que, conjuntamente, podem levar ao seu consumo exagerado: o tamanho grande (há anonas com mais de 1 kg!) e a facilidade em se estragar faz com que, ao ser descascada ou partida e mesmo quando colocada no frigorífico, escureça (oxide) rapidamente. Tendo em conta que 80 gramas de anona são consideradas uma dose de fruta (ex. maçã, laranja ou pera) de tamanho médio e que não se consegue conservar uma anona partida, há a tendência, para não desperdiçar, de comer toda de uma só vez, mesmo que a anona seja de tamanho grande.

Logo, para pessoas com obesidade ou excesso de peso o consumo deve ser moderado para evitar a sobrecarga calórica e consequente aumento ou manutenção do peso excessivo. A população diabética também necessita de ter cuidado ao consumir anona pois como esta fruta possui um conteúdo elevado de hidratos de carbono simples pode provocar glicemias elevadas persistentes. Pessoas com insuficiência renal a fazer tratamento da substituição da função renal também necessitam restringir o consumo desta fruta visto ter um conteúdo elevado de potássio.

Como consumir:

Esta fruta deve ser consumida no estado fresco, partida em duas metades e degustada com uma simples colher quando apresentar uma consistência mole ao tacto, tirando-se assim o melhor partido das suas qualidades organoléticas.

A anona pode ser consumida à temperatura ambiente ou, para quem preferir alimentos mais frescos, a uma temperatura entre os 10-12 °C. Esta fruta também pode ser misturada com iogurte ou sorvete, ser utilizada como ingrediente de batidos, bolos, pudins, mousse e gelados, ou no fabrico de bebidas alcoólicas como o licor de anona.

Como conservar:

Se a anona já estiver madura, pode-se prolongar o seu período de vida em cerca de 10 a 15 dias, colocando-a de imediato no frigorífico, entre 8 a 10 °C, aproximadamente. No caso da anona verde, podemos conservá-la por mais 10 dias à temperatura de 12 a 14 °C. Não é recomendado colocar anonas verdes no frigorífico a temperaturas inferiores a 12 °C por longos períodos.

A anona também pode ser conservada em polpa, para consumo fora de época. Para tal, coloca-se a polpa sem as sementes com sumo de limão e de laranja em partes iguais num saco de plástico apropriado para congelar alimentos. A polpa deve ser dividida em doses adequadas tendo o cuidado de se manter o saco hermeticamente fechado. Esta pode conservar-se no congelador entre 4 a 6 meses, permitindo ser consumida ao longo do tempo em diferentes receitas e iguarias.

Resumindo: A anona é uma fruta com um sabor agradável cujo perfil nutricional faz com que possa ser integrada numa alimentação saudável.

 

Alexandre Tavares
Nutricionista do SESARAM, E.P.E.
ERPASS

 

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