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O regresso... com a sidra e a truta!

Sou Nutricionista, membro n.º 1731N da Ordem dos Nutricionistas, licenciada em Ciências da Nutrição pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz e pós-graduada em Auditores de HACCP pelo Instituto Politécnico de Leiria e retomo a colaboração nesta rubrica com muito entusiasmo!

Esta é uma rubrica que visa salientar os benefícios nutricionais dos produtos regionais, especialmente aqueles que são anfitriões de eventos, tal como acontece com a sidra e a truta entre os próximos dias 24 a 28 de maio em São Roque do Faial.

sidra A sidra é uma bebida secular produzida na nossa ilha. A sua origem é um pouco controversa, mas sabe-se que os Celtas (800 a.C.) foram os grandes responsáveis pela expansão desta bebida pela Europa. Os hebreus chamavam Shekar, os gregos Sikera e os romanos Sicera.

A mesma deriva do processo de fermentação do sumo de maçãs de diversas variedades regionais, comumente conhecidas como “peros”. Este fruto é esmagado em pisões de madeira e fermentado em cascos de madeira. É uma bebida suave e de baixo teor alcoólico, entre 5 e 7% vol., que pode ser servida quente ou fria. A versão fria é mais fresca e leve que a versão quente, que adquire um sabor equiparável a maçã cozida. Na versão fria, que deverá ser sempre servida a uma temperatura de aproximadamente 5°C, possuímos a natural, que deriva da fermentação alcoólica do sumo da maçã, sem nenhuma gaseificação. A fermentação pode ser total, existindo uma transformação completa dos açúcares em álcool, ou parcial, quando resultam alguns açúcares residuais no produto. A versão fria gaseificada pode ser fabricada com a produção natural de dióxido de carbono, resultante de uma segunda fermentação alcoólica onde há libertação deste gás, ou com adição do mesmo. Na versão quente, a temperatura para servir deve ser equiparável à de uma infusão.

Existem relatos dos benefícios nutricionais da sidra desde 1676, onde John Woldrige refere: "O consumo habitual desta bebida, diz a experiência, assegura consideravelmente a saúde e a longevidade, mantendo os bebedores em plena força e vigor até idades avançadas". A sidra é das bebidas alcoólicas com menor teor energético, aproximadamente 47 kcal/100 ml, que, quando ingerida com moderação, pode apresentar benefícios à saúde, devido à presença de substâncias na maçã, como polifenóis, especialmente o flavonóide quercetina, com ação antioxidante, ajudando a reduzir os efeitos nefastos dos radicais livres, e efeito protetor do sistema renal, cardiovascular e hepático. Por copo, a quantidade de antioxidantes é equiparável com a do vinho tinto, possuindo um menor teor alcoólico que este. Em termos vitamínicos, destaca-se o seu teor de vitaminas do complexo B e, no que toca aos minerais, o seu teor de cálcio, fósforo e ferro. Contém ainda ácido málico, substância com ação diurética.

 

truta Falando agora do outro anfitrião, a truta é um peixe de formato alongado que pertence à mesma família do salmão, tendo sido introduzida na nossa ilha na década de 50. Este é considerado um peixe gordo, à semelhança da anchova, arenque, atum, cavala, enguia, salmão e sardinha, entre outros. Vários estudos demonstram que as populações que privilegiam o consumo de peixe têm uma menor incidência de doenças cardiovasculares e níveis elevados de colesterol.

Em termos energéticos, 100 g de truta contêm cerca de 92 kcal, valor este inferior aos restantes peixes gordos, como sardinha, salmão e arenque. Tem um teor proteico semelhante ao tamboril, espadarte, cherne e bacalhau. No seu perfil lipídico, destaca-se o seu teor em ácidos gordos polinsaturados, nomeadamente ómega-3. Este ácido essencial tem uma ação anti-inflamatória, com um papel protetor do sistema cardiovascular e cerebrovascular, prevenindo doenças como cancro, aterosclerose, enfarte agudo do miocárdio e Alzheimer. Uma baixa ingestão de ómega-3 por um período prolongado está associada a atraso no crescimento, problemas oculares e neurológicos.

Em termos vitamínicos, contém um teor de vitaminas A e E semelhante à maruca, de vitamina D equiparável à sardinha, de B1 semelhante ao atum e linguado, e de B2 e B12 ao salmão. Quanto ao teor mineral, contém ferro em concentração semelhante ao tamboril, zinco e cálcio ao linguado, potássio equiparável ao carapau e chicharro, e magnésio ao salmão. Destaca-se ainda o seu teor em selénio, com efeito protetor em alguns tipos de cancro, contribuindo ainda para a saúde cardiovascular.

E não se esqueça, “a truta e a mentira...quanto maior, melhor!”

Cláudia Melim
Nutricionista - 1731N

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