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Meteorologia agrícola
A informação técnica semanal ao seu dispor!

apuramentos meteorologicos semana52 (LEGENDA)

Da análise dos apuramentos meteorológicos para o período compreendido entre 12 e 18 de maio (ver quadro), verificaram-se níveis baixos de precipitação, com exceção do concelho de Santana. A intensidade média do vento tem vindo a fazer-se sentir. Com estas condições climáticas, podemos planear todo o tipo de operações culturais inerentes às boas práticas agrícolas, com alguma reserva na aplicação de produtos fitofarmacêuticos (PF).

Enquanto durar o plano de contingência relacionado com o coronavírus, convém lembrar uma vez mais os cuidados acrescidos de segurança que devem ter na execução de todas as tarefas na exploração agrícola (Ver o DICAs n.º 374/2020 – ‘Medidas de higiene especiais a observar nos trabalhos agrícolas’).

Devemos continuar a dar importância à necessidade de efetuar as regas, em toda a região, exceção feita a Santana, como foi atrás referido. Ver no quadro os indicadores da Precipitação (P) e Evapotranspiração potencial (ETP) que evidenciam esta realidade.

Existem poucas alterações nas previsões climáticas para a próxima semana (até 28 de maio), com o surgimento de alguma nebulosidade e ausência de precipitação em toda a região. Com as temperaturas atuais e as esperadas, os insetos têm condições para iniciar e completar os seus ciclos biológicos.

Bichado das Pomóideas - Cydia pomonella L.

O bichado é uma praga de macieiras, pereiras, marmeleiros e outras pomóideas. Todas as variedades de macieira e pereira são sensíveis a esta praga, causando danos e prejuízos apenas nos frutos.

macieira bichado 1 
Foto 1 – Ciclo de vida da praga

É um lepidóptero com 2 gerações anuais.

A primeira tem início em meados de abril, às vezes mais cedo, e prolonga-se até ao início de junho. A segunda geração decorre entre julho e setembro, por vezes até à entrada do mês de outubro.

Hiberna sob a forma de lagarta num casulo, nas rugosidades da casca ou no solo. A transformação para pupa inicia-se em março, podendo durar 20 ou 30 dias. Os primeiros adultos (foto 2) surgem em março/abril, permanecendo no pomar até setembro.

macieira bichado 2
Foto 2 – Adulto da Cydia pomonella L.

Cada fêmea pode colocar 50 a 80 ovos.

Após a eclosão, a lagarta penetra o fruto, preferencialmente na fossa apical, no ponto de contacto entre dois frutos ou na zona de inserção do pedúnculo. Escava uma galeria em direção à cavidade seminal, onde irá consumir as sementes. Vinte a trinta dias depois, o inseto abandona o fruto, procurando um local para pupar.

 macieira bichado 3
 Foto 3 – Danos provocados pela lagarta
da Cydia pomonella L.

A lagarta liberta os excrementos para o exterior do fruto através do orifício de penetração. Os frutos ficam comercialmente desvalorizados e podem cair da árvore (foto 3).

Ciclo de vida

O bichado passa o Outono-Inverno em forma de larva, em abrigos sob a casca das árvores e, eventualmente, noutros refúgios: armazéns, estações fruteiras, instalações agrícolas.

Na Primavera, as larvas evoluem, dando origem a insetos adultos – borboletas.

Depois de acasalarem, as fêmeas põem, em média, cerca de 60 ovos, distribuídos por outros tantos frutos e, por vezes, nas folhas. Destes ovos, nascem as larvas de bichado, com cerca de 1 mm, que penetram nos frutos pouco depois. Abrem primeiro uma galeria em forma de espiral e depois, à medida que se desenvolvem, a galeria é alargada, até atingir a cavidade em que se encontram as sementes. Estas constituem uma fonte de proteínas e gorduras, necessárias para a larva terminar o seu desenvolvimento.

Quando estão completamente desenvolvidas, as larvas abandonam o fruto (foto 4), procuram um refúgio, normalmente na casca das árvores, e aí se transformam em borboletas, em meados de junho, dando origem a uma segunda geração e repetindo-se o processo. Algumas das larvas da primeira geração e a totalidade das larvas da segunda entram em diapausa, um período de inatividade que dura seis a sete meses, até à Primavera seguinte.

Estragos e prejuízos

A larva do bichado alimenta-se da polpa e das sementes dos frutos, provocando a sua queda e perda prematura no pomar. A fruta “bichada” é desvalorizada e perdida para comercialização. A fruta colhida mais para o fim do ciclo de vida do bichado pode levar as larvas para as câmaras frigoríficas ou, simplesmente, as galerias já vazias, mas, entretanto, invadidas por fungos que provocam o apodrecimento durante o período de armazenamento.

 

previsoes meteorologicas semana52 (NOTA)

macieira bichado 4
Foto 4 – Larva a abandonar o fruto

Os prejuízos podem ser muito elevados – atingindo quase a totalidade dos frutos, se a praga não for combatida.

Em casos de tratamentos mal posicionados ou com produtos aos quais o bichado tenha adquirido resistência, podem registar-se prejuízos superiores a metade da produção.

Em pomares com tratamentos racionalmente aplicados – luta dirigida e proteção e produção integrada, luta biotécnica e/ou luta biológica – os prejuízos podem ser quase completamente anulados, tolerando-se a presença de 0,5 a 1% de frutos afetados pela praga, o que não tem significado económico. Em pomares não tratados, os prejuízos podem atingir mais de 90% da produção.

O bichado é uma praga-chave que obriga sempre à adoção de medidas de proteção.

Luta biotécnica

Pelo menos dois meios de luta biotécnica viáveis estão hoje disponíveis para o combate ao bichado: a confusão sexual e a utilização de iscos de atração e morte.

A confusão sexual consiste em colocar nos pomares, na Primavera, difusores de feromona sexual, à razão de 500 a 1000 difusores por hectare. Estes difusores libertam na natureza um produto sintético - feromona - semelhante à hormona que as fêmeas emitem para atrair os machos. Estes são confundidos, voando de um difusor para outro e acabam por não encontrar as fêmeas para acasalar. Assim, estas produzem ovos estéreis, obtendo-se uma acentuada diminuição da população de bichado. Funciona muito bem em pomares com baixas populações de bichado, o que tem de ser avaliado no ano anterior, através da colocação de armadilhas tipo “delta” com feromona sexual ou de cintas de cartão canelado para captura de larvas.

Outra opção de luta biotécnica é a colocação de armadilhas com iscos impregnados de feromona do bichado e de um inseticida ou de um material pegajoso. Estes iscos atraem e capturam os machos em quantidade, dificultando e impedindo o acasalamento e diminuindo assim a postura de ovos viáveis.

As armadilhas luminosas também capturam muitos adultos. A plantação de alfazemas junto às plantas atacadas também é recomendada. Nas pereiras, dever-se-á optar por plantar variedades tardias, pois a epiderme está muito rija para que as pequenas larvas a consigam furar.

Este combate pode ser realizado com recurso a parasitoides, como, por exemplo, a utilização de Trichogrammas (parasitoide himenóptero, o mais utilizado) e ainda Ascogaster quadridentatus, Ephialtes caudatus, Trichomma enecator, Pristomerus vulneratus e Elodia tragica.

Luta biológica (MPB)

Estão homologados PF para o controlo do bichado à base de spinosade, Bacillus thuringiensis e de vírus da granulose (granulovirus). Estes produtos, de origem natural, não são tóxicos para o homem nem para outros animais - aves, peixes, mamíferos, insetos e ácaros auxiliares - e degradam-se facilmente, não deixando resíduos na fruta tratada nem no ambiente.

No entanto, os tratamentos com Bacillus thuringiensis têm tido resultados modestos.

Luta química

Dever-se-á utilizar óleos vegetais e minerais por terem uma ação ovicida.

A aplicação de inseticidas químicos de síntese, por vezes de largo espectro de ação, sendo ainda a solução mais correntemente adotada, deve ser realizada seguindo todas as indicações e normas que reduzam os seus impactos negativos no ambiente e na saúde humana.

A seguir, indicamos alguns exemplos de PF que podem ser utilizados no combate do bichado: ALIGN (substância ativa azadiractina); STEWARD (Lindoxacarbe); INSEGAR 25WG (Fenoxicarbe); CORAGEN (Clorantranilprol); POLYSECT ULTRA SL (Acetamiprida) e DELEGATE 250 WG (Espinetorame), devendo sempre ler-se atentamente o(s) rótulo(s).

Miguel Teixeira
Divisão de Assistência Técnica à Agricultura/DSDA
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

Para mais informação relativamente à prevenção e/ou tratamento, deverá contactar o seguinte serviço da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural:

Direção de Serviços de Desenvolvimento da Agricultura /DSDA
Divisão de Assistência Técnica à Agricultura /DATA
Correio eletrónico: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Telef.: 291 211 260

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