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Meteorologia agrícola
A informação técnica semanal ao seu dispor!

apuramentos meteorologicos 21a27maio2019 (LEGENDA)

CLIMATOLOGIA

No seguimento da análise dos apuramentos meteorológicos de 21 a 27 de maio (ver quadro), não se verificaram alterações de maior nas condições do estado do tempo, com o tempo quente a continuar, com precipitação abaixo do esperado, quase nula e pouca nebulosidade.

Há que ter em atenção a frequência das regas, uma vez que os níveis de precipitação estão baixos, conforme referido anteriormente, mas sempre de acordo com as necessidades hídricas das culturas. É imperioso o uso racional de água (poupança no máximo).

A previsão do estado do tempo para os próximos dias (até 06 de junho) apresenta poucas alterações relativamente à semana anterior, ou seja, pouca nebulosidade, temperaturas médias acima do normal para a época e ausência de precipitação.

BICHADO - Cydia pomonella L.

bichado2

O bichado das pomóideas é uma praga de macieiras, pereiras, marmeleiros e outras pomóideas. Todas as variedades de macieira e pereira são sensíveis, causando danos e prejuízos apenas nos frutos.

É um lepidóptero com duas gerações anuais.

A primeira tem início em meados de abril, às vezes mais cedo, e prolonga-se até ao início de junho. A segunda geração decorre entre julho e setembro, por vezes até à entrada do mês de outubro. Hiberna sob a forma de lagarta num casulo, nas rugosidades da casca ou no solo. A transformação para pupa inicia-se em março, podendo durar 20 ou 30 dias. Os primeiros adultos surgem em março/abril, permanecendo no pomar até setembro.

bichado3 Cada fêmea pode colocar 50 a 80 ovos. Após a eclosão, a lagarta penetra o fruto, preferencialmente na fossa apical, no ponto de contacto entre dois frutos ou na zona de inserção do pedúnculo. Escava uma galeria em direção à cavidade seminal, onde irá consumir as sementes. 20 a 30 dias depois, o inseto abandona o fruto, procurando um local para pupar.

A lagarta liberta os excrementos para o exterior do fruto através do orifício de penetração. Os frutos ficam comercialmente desvalorizados e podem cair da árvore.

Ciclo de vida do bichado

bichado1

O bichado passa o Outono e Inverno em forma de larva, em abrigos sob a casca das árvores e eventualmente noutros refúgios: armazéns, estações fruteiras ou instalações agrícolas. Na Primavera, as larvas evoluem, dando origem a insetos adultos – borboletas. Depois de acasalarem, as fêmeas põem, em média, cerca de 60 ovos, distribuídos por outros tantos frutos e por vezes nas folhas. Destes ovos, nascem as larvas de bichado, com cerca de 1 mm, que penetram nos frutos pouco depois.

Abrem primeiro uma galeria em forma de espiral e depois, à medida que se desenvolvem, a galeria é alargada, até atingir a cavidade em que se encontram as sementes. Estas constituem uma fonte de proteínas e gorduras, necessárias para a larva terminar o seu desenvolvimento. Quando estão completamente desenvolvidas, as larvas abandonam o fruto, procuram um refúgio, normalmente na casca das árvores e aí se transformam em borboletas, em meados de junho, dando origem a uma segunda geração e repetindo-se o processo. Algumas das larvas da primeira e a totalidade das larvas da segunda geração entram em diapausa, um período de inatividade que dura seis a sete meses, até à Primavera seguinte.

Estragos e prejuízos

A larva do bichado alimenta-se da polpa e das sementes dos frutos, provocando a sua queda e perda prematura no pomar. A fruta “bichada” é desvalorizada para comercialização. A fruta colhida já para o fim do ciclo de vida do bichado pode levar as larvas para as câmaras frigoríficas ou simplesmente as galerias já vazias, mas, entretanto, invadidas por fungos que provocam o apodrecimento durante o período de armazenamento.

 

previsao meteorologica 28maio 6junho2019 (NOTA)

bichado4 Os prejuízos podem ser muito elevados, atingindo quase a totalidade dos frutos se a praga não for combatida. Em casos de tratamentos mal posicionados ou com produtos aos quais o bichado tenha adquirido resistência, podem registar-se prejuízos superiores a metade da produção. Em pomares com tratamentos racionalmente aplicados – luta dirigida e proteção e produção integrada, luta biotécnica, luta biológica – os prejuízos podem ser quase completamente anulados, tolerando-se a presença de 0,5 a 1% de frutos afetados pela praga, o que não tem significado económico.

Luta biotécnica

Pelo menos dois meios de luta biotécnica viáveis estão hoje disponíveis para o combate ao bichado: a confusão sexual e a utilização de iscos de atração e morte.

A confusão sexual consiste na colocação nos pomares, na Primavera, de difusores de feromona sexual, à razão de 500 a 1000 difusores por hectare. Estes difusores libertam na natureza um produto sintético - feromona - semelhante à hormona que as fêmeas emitem para atrair os machos. Estes são confundidos, voando de um difusor para outro e acabam por não encontrar as fêmeas para acasalar. Assim, estas produzem ovos estéreis, obtendo-se uma acentuada diminuição da população de bichado. Funciona muito bem em pomares com baixas populações de bichado, o que tem de ser avaliado no ano anterior, através da colocação de armadilhas tipo “delta” com feromona sexual ou de cintas de cartão canelado para captura de larvas.

Outra opção de luta biotécnica é a colocação de armadilhas com iscos, impregnados de feromona do bichado e de um inseticida ou de um material pegajoso. Estes iscos atraem e capturam os machos em quantidade, dificultando e impedindo o acasalamento e diminuindo assim a postura de ovos viáveis.

Inseticidas biológicos

O bichado é uma praga-chave que obriga sempre à adoção de medidas de proteção.

Os prejuízos, em pomares não tratados, podem atingir mais de 90% da produção.

Estão homologadas para controlo do bichado produtos fitofarmacêuticos à base de azadiractina, spinosade, Bacillus thuringiensis e de vírus da granulose. Estes produtos de origem natural não são tóxicos para o homem nem para outros animais - aves, peixes, mamíferos, insetos e ácaros auxiliares - e degradam-se facilmente, não deixando resíduos na fruta tratada nem no ambiente.

Outros tratamentos químicos

A aplicação de inseticidas químicos de síntese, por vezes de largo espectro de ação, sendo ainda a solução mais correntemente adotada, deve ser realizada seguindo todas as indicações e normas que reduzam os seus impactos negativos no ambiente e na saúde humana.

Outros tratamentos

Continuar com o tratamento contra os ovos das cochonilhas e formas móveis de ácaros nas macieiras, pereiras e pessegueiros. Pulverizar com calda bordalesa, no intuito de combater as formas hibernantes de pedrado e também contra focos de crivado e lepra nos pessegueiros.

Pretende-se baixar o nível populacional de ácaros, cochonilha S. José e afídios, combatendo as suas formas hibernantes através de um tratamento que se deve posicionar o mais próximo possível da rebentação (inchamento dos gomos), pulverizando em alto volume e alta pressão com um produto à base de óleo de verão a 4% (4 litros/100 litros de água), molhando bem o tronco e as pernadas.

Nas nespereiras (e para todas as fruteiras, para as quais não existe produtos fitofarmacêuticos homologadas para o combate da mosca da fruta) recomenda-se o uso de garrafas mosqueiras (armadilhas de captura massiva), para minorar o ataque desta praga (Ceratitis capitata).

Para mais informação relativamente à prevenção e/ou tratamento, deverá contactar o seguinte serviço da Direção Regional de Agricultura:

Direção de Serviços de Desenvolvimento da Agricultura /DSDA
Divisão de Assistência Técnica à Agricultura /DATA
Correio eletrónico: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Telef.: 291 211 260

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