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Meteorologia agrícola: a informação técnica semanal ao seu dispor!

apuramentos meteorologicos (LEGENDA)

CLIMATOLOGIA

Segundo as previsões teremos continuação de bom tempo para a próxima semana, A intensidade média do vento está a fazer-se sentir duma forma suave, permitindo todo o tipo de operações culturais, nomeadamente a aplicação de produtos fitofarmacêuticos. Relativamente às regas, uma vez que a precipitação foi praticamente nula, verifica-se a necessidade de retomar esta prática com maior frequência. Ver no quadro, os indicadores da Precipitação (P) e Evapotranspiração potencial (ETP), que indiciam claramente haver necessidade de regar, mas sempre de sempre de acordo com as necessidades da cultura. A previsão do estado do tempo para os próximos dias, reserva-nos dias de céu limpo alternando com dias de alguma nebulosidade. Manter a monitorização, às suas culturas, quanto a pragas e doenças. Os produtores de castanhas na região deverão estar atentos aos sinais da vespa que provoca as galhas.

Vespa das Galhas do Castanheiro (Dryocosmus kuriphilus Yasumatsu)

Devem continuar a observar cuidadosamente os seus castanheiros, em especial os plantados nos últimos anos e particularmente neste ano (2016/17), independentemente do seu tamanho, variedade ou origem, e caso observem sintomas (bugalhos/galhas) semelhantes ao da fotografia deverão retirá-las de imediato e destruí-las, através do fogo ou enterrando-as, evitando assim a dispersão da vespa pelos restantes castanheiros do souto e plantações vizinhas.

  galhas castanheiro
Galhas nas folhas do castanheiro provocadas pela vespa

Esta vespa é um inseto minúsculo originário da China, que ataca as plantas do género Castanea, causando a formação de galhas nos gomos e nas folhas (V. foto). Provoca assim a diminuição do crescimento dos ramos e impede a frutificação, podendo conduzir ao declínio e morte dos castanheiros. Todas as variedades da espécie europeia Castanea sativa são particularmente sensíveis, tal como a maioria das espécies de origem asiática e americana, cultivadas na Europa (C. mollisima, C. crenata e C. dentata) e seus híbridos. Foi detetado na Europa (Itália) em 2002 e daí para cá já se expandiu para outros países, sendo os mais recentes Espanha e Portugal. Este inseto é atualmente considerado uma das pragas mais prejudiciais aos castanheiros em todo o mundo e na Europa pode constituir uma séria ameaça à sustentabilidade de soutos, pomares e castinçais.

Sintomas e prejuízos na cultura

adulto vespa castanheiro Os insetos adultos depositam os ovos nos gomos (ver foto ao lado), originando o aparecimento de galhas muito características, nos ramos jovens e no pecíolo e nervura principal das folhas, dando-lhes um aspeto frisado. Estes sintomas devem-se à deformação dos tecidos afetados. As galhas podem medir entre 5 a 25 mm, são de fácil visualização, de cor verde ou rosada. Adquirem uma coloração vermelha acastanhada, à medida que os adultos vão emergindo e de seguida secam e lenhificam, ficando presas à árvore vários anos. Esta praga causa grandes quebras de produção e perda de qualidade do fruto, bem como a diminuição do crescimento e o declínio dos castanheiros. Alguns castanheiros morrem em consequência de ataques graves. Em regiões de Itália e França já se registaram perdas de produções superiores a 80%.

 

previsoes meteorologicas (NOTA)

Ciclo biológico

Os pequenos ovos de forma oval (0,1 a 0,2 mm), de cor branco-leitoso, são depositados pelas fêmeas nos gomos latentes. A fêmea pode depositar 3 a 5 ovos em cada gomo, dos 100 a 150 que produz. Várias fêmeas podem utilizar o mesmo gomo para as suas posturas, pelo que é frequente encontrarem-se galhas com 20 ovos e mais. Do ovo nasce uma pequena larva, passados uns 40 dias. A larva tem um ligeiro crescimento no interior do gomo, no fim do verão e interrompe o seu desenvolvimento durante o outono-inverno, para apenas o retomar na primavera seguinte. Antes da primavera, não são visíveis nos gomos quaisquer sintomas. Nessa altura, as larvas desenvolvem-se rapidamente e por efeito das toxinas que produzem, formam-se as galhas, que se tornam visíveis no espaço de uma a duas semanas. Pelo fim de maio começam a emergir os adultos, que depressa darão início a um novo ciclo de vida, depositando ovos nos gomos dos castanheiros. O inseto adulto é um pequeno himenóptero (2,5mm) de difícil observação à vista desarmada. Embora o tempo de vida útil do inseto adulto seja curto, cerca de 10 dias, a emergência dos adultos dá- se de uma forma escalonada, desde finais de maio a finais de julho. Este escalonamento está relacionado com as condições climáticas, com a altitude e com a exposição solar dos soutos. Esta praga só tem uma geração por ano. A sua reprodução é feita por partenogénese, ou seja, não é necessária a presença de machos para se multiplicarem. Além disso, a espécie é constituída apenas por fêmeas. O Dryocosmus passa a maior parte do seu ciclo de vida no interior da galha, o que anula a eficácia de qualquer tratamento químico.

MEDIDAS DE CONTROLO

● O tratamento químico é ineficaz e tem grande impacto negativo no ambiente, matando os inimigos naturais do Dryochosmus kuriphilus, incluindo espécies nativas cujo papel pode vir a ser fundamental no estabelecimento de uma barreira natural à invasão desta praga. Todo o trabalho de investigação e de aplicação prática, em diversos países, tem demonstrado que a luta biológica, com largadas sucessivas, na primavera, de populações do himenóptero Torymus sinensis, parasitoide das larvas do Dryocosmus, é a única forma efetiva de controlo da praga. A Direção Regional de Agricultura com o intuito de ajudar os agricultores no controlo desta praga prevê nos finais de abril – início de maio, 80 largadas do parasitoide Torymus sinensis de forma escalonada nas principais zonas de produção de castanha da Região (Curral das Freiras e Serra de Água). A introdução deste parasitoide exótico e sua aclimatação no país, a investigação sobre a existência de parasitoides indígenas como Torymus beneficus, e a seleção de variedades de castanheiro resistentes ou tolerantes aos ataques de Dryochosmus kurifilus, são as linhas de trabalho fundamentais, já adotadas em alguns países atingidos por esta epidemia. Devem também ser postas em prática sem demora medidas preventivas básicas como:

vespa galha castanheiros na rebentacao
Galhas nas folhas do castanheiro
no início da rebentação

● Em pomares jovens, observar cuidadosamente as plantas a partir da rebentação. Eliminar os ramos com galhas e queimá-los;

● Não utilizar porta-enxertos e plantas infetadas;

● Adquirir plantas produzidas em regiões onde ainda não se tenha detetado esta praga;

● Utilizar variedades tolerantes.

Caso observe os sintomas descritos, comunique sem demora os Serviços Regionais de Agricultura mais perto de si, cujos contactos indicamos abaixo.

NÃO DEIXE QUE ESTA PRAGA SE INSTALE NO SEU SOUTO!

Para mais informação relativamente à prevenção e/ou tratamento deverá contactar o seguinte serviço da Direção Regional de Agricultura:

Direção de Serviços de Desenvolvimento da Agricultura
Divisão de Assistência Técnica à Agricultura (DATA)
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Telef.: 291 211 260

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