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Meteorologia agrícola: a informação técnica semanal ao seu dispor!

apuramentos meteorologicos (LEGENDA)

CLIMATOLOGIA

Segundo as previsões para a próxima semana, teremos temperaturas médias amenas em quase toda a região, verificando-se a norte temperaturas médias um pouco mais baixas. A intensidade média do vento a fazer-se sentir duma forma mais suave relativamente à semana anterior, permitindo com alguma reserva, a aplicação de produtos fitofarmacêuticos. As regas, uma vez que a precipitação foi abundante na última semana poderão ser suspensas retomando-as para o final da semana se entretanto não chover. Ver no quadro, os indicadores da Precipitação (P) e Evapotranspiração potencial (ETP), que indiciam claramente não haver necessidade de regar. A previsão do estado do tempo para a próxima semana é de alguma estabilidade, alternando a espaços com alguma precipitação.

Quando o estado do tempo não permitir realizar muitas das tarefas culturais inerentes à exploração agrícola, permite por outro lado, proceder à limpeza e manutenção do equipamento agrícola.

PRODUÇÕES AGRÍCOLAS E INSETOS POLINIZADORES

Preservação dos polinizadores autóctones

Parece oportuno uma vez que o tempo primaveril se aproxima e com ele muito dos insectos considerados úteis à produção agrícola, falarmos da importância da preservação dos polinizadores autóctones.

Muito raramente se atribui os insucessos agrícolas à falta de fertilização pela ausência de insetos responsáveis pela polinização. No entanto, em muitos casos, esta é o fator essencial. Não há todavia, tempo quente, fertilidade do solo, cruzamento seletivo de culturas, controle parasitário, irrigação ou qualquer outra prática agrícola que os substitua.

Assim, desde há várias décadas que a relação entre a produção de grande variedade de produtos agrícolas e os insetos polinizadores se tornou evidente e tem sido referida. Tal como a água, o pH do solo, uma técnica de cultivo adequada ou os fertilizantes, uma polinização bem assegurada é fator primordial para a obtenção de uma colheita de qualidade.

A modificação, por vezes irracional, do meio natural operada por técnicas agrícolas inadequadas, a transformação não raras vezes profunda da planta, a utilização abusiva e desordenada de toda a espécie de produtos fitossanitários e não só, levam a um desaparecimento de grande número de insetos polinizadores. Numerosas pesquisas realizadas hoje em dia a nível mundial, permitem concluir que a falta de polinizadores acarreta consequências mais ou menos profundas em função da espécie. Nas plantas autoestéreis ou com tendência autoestéril, a ausência de insetos polinizadores reduz praticamente toda e qualquer esperança de colheita de sementes ou frutos. Quando existe autofecundação, a frutificação é pouco abundante, os frutos pequenos e as sementes de baixa qualidade. Até certo ponto, o aumento de produção está condicionado pela presença de insetos polinizadores eficazes.

A extensão das superfícies cultivadas, a consequente utilização de herbicidas e de inseticidas de toda a espécie, de práticas agrícolas lesivas para a fauna e flora autóctones, conduziu a uma diminuição da fauna polinizadora selvagem. Por outro lado, verificou-se também que a maioria das vezes a abelha doméstica (Apis mellifera) não desempenha corretamente o seu papel de polinizador. Muitos outros insetos designados de “abelhas selvagens” de difícil domesticação, como os Bombus (abelhão), são extremamente úteis e indispensáveis na obtenção de semente de algumas variedades de trevo, na produção de variados produtos frutícolas e hortícolas.

 

previsoes meteorologicas (NOTA)

Também algumas abelhas solitárias (assim designadas porque constroem os seus ninhos isoladamente e não em colónia), como as Andrena heriades, Osmia ou Megachile, são os melhores polinizadores de árvores de fruto de floração precoce, de algumas hortícolas e de plantas forrageiras. Atualmente, face a problemas de índole variada com a abelha doméstica (destruição de colmeais), a utilização da fauna local autóctone reveste-se de particular importância.

Assim, conhecidos que são os efeitos de uma polinização adequada na qualidade e aumento de produtividade de grande número de culturas agrícolas, utilizam-se espécies de insetos que alguns países tentam criar e multiplicar. Todavia, nada nem ninguém consegue (com um mínimo de despesa) tanta eficácia como a própria Natureza. Importa, no entanto, evitar destruir e por vezes dizimar toda a flora local que se encontra associada a essas populações de polinizadores.

A utilização abusiva de produtos fitossanitários e práticas agrícolas inadequadas podem destruir esses laboriosos e úteis polinizadores. Tanto as Andrena (abelhas solitárias) como os Bombus (insetos sociais) nidificam no solo. Ao utilizar-se produtos tóxicos para combater toda a espécie de ervas daninhas, não apenas se elimina toda a vegetação autóctone que lhes serve de alimento, como se destroem os ninhos desses insetos extremamente úteis.

No sentido de evitar o impacto que, a médio e longo prazo, a destruição da flora local acarreta para a fauna endémica de insetos, há que preservar os polinizadores autóctones, a maioria ainda totalmente desconhecidos e pouco estudados entre nós. Mantendo uma vegetação autóctone (fornecedora de pólen e néctar indispensáveis a esses insetos), preservando os seus ecossistemas, (evitando uma utilização indiscriminada de produtos cuja toxicidade é cada vez mais evidente), estamos a contribuir para produções economicamente mais rentáveis e de maior qualidade.

Em resumo, a proteção da fauna polinizadora deve, portanto, limitar:

1. a destruição dos locais naturais de nidificação,

2. a utilização de inseticidas no solo,

3. o tratamento das plantas no momento da floração,

4. a destruição da flora adventícia espontânea.

Essa proteção deve ainda favorecer:

1. os locais naturais de nidificação,

2. a instalação de ninhos artificiais variados,

3. o aumento de culturas de plantas com floração precoce, atrativa e escalonada no tempo por forma a permitir uma grande abundância de polinizadores.

Sabedoria popular

Quem não poda até março, vindima no regaço.
Se queres bom cabaço, semeia em março.

Para mais informação relativamente à prevenção e/ou tratamento deverá contactar o seguinte serviço da Direção Regional de Agricultura:

Direção de Serviços de Desenvolvimento da Agricultura
Divisão de Assistência Técnica à Agricultura (DATA)
Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. 
Telef.: 291 211 260

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