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Meteorologia Agrícola
A informação técnica semanal ao seu dispor!

meteorologia apuramentos (LEGENDA)

CLIMATOLOGIA

Prevê-se, para a próxima semana, a continuação da muita nebulosidade acompanhada de precipitação. De igual modo, as temperaturas médias continuam a baixar gradualmente. A velocidade do vento, a fazer-se sentir de forma intensa, irá impedir na maioria dos casos a aplicação de produtos fitofarmacêuticos. As regas, por sua vez, e dado o aumento verificado da precipitação, são desnecessárias, devendo, no entanto, o agricultor estar atento  às necessidades hídricas da cultura. 

TRATAMENTOS FITOSSANITÁRIOS

- Anoneiras

Monitorizar as anoneiras, de modo a detetar atempadamente a presença da cochonilha algodão e de outras ‘lapas’, de certa forma associadas à fumagina, cuja presença persiste nos pomares, podendo ser aplicado o Imidan 50 WP (fosmete) numa concentração de 60g/hl.

Poder-se-á também realizar tratamentos preventivos para evitar a antracnose, um sintoma fitopatológico resultante da infecção das plantas por vários agentes etiológicos, entre os quais várias espécies de fungos, em geral pertencentes aos géneros Colletotrichum e Gloeosporium), utilizando sulfato de cobre, vulgarmente conhecido por ‘calda bordalesa’ (ver instruções do rótulo). Esta doença é caracterizada por manchas escuras (amarelas ou castanhas) nas folhas, frutos e tronco de certas espécies vegetais (videira, abacate, anona, goiaba, araçá, manga, maçã e outras frutas) e é vulgarmente conhecida por doença-negra, moléstia-negra.

- Maracujazeiro

Realizar tratamentos preventivos para combater a antracnose, utilizando sulfato de cobre (calda bordalesa), como atrás referido, ou ainda utilizando o produto fitossanitário designado por ORTIVA (s.a.: azoxistrobina), que também previne, para além da antracnose, outra doença, a septoriose.

A aplicação de calda bordalesa no combate à antracnose também previne o aparecimento de outras doenças, tais como:
• Tombamento ou Damping off (causado pelos fungos Rhyzoctonia, Fusarium e Phytophthora);
• Verrugose ou cladosporiose (causada pelo fungo Cladosporium herbarum) e;
• Alternariose (causado por fungos do género Alternaria sp).

Na presença de ácaros (tetranychus urticae), aplicar Thiovit Jet (enxofre), 2,5 kg/ha; vol. calda: 1000l/ha; máximo: 4 aplicações/ano (10-14 dias de intervalo) com 1 dia de intervalo de segurança.

- Morangueiro

O morangueiro é uma planta muito sensível a solos compactos, que reduzem o seu crescimento, asfixiando o sistema radicular. Requer luz solar direta e um solo que permita uma boa drenagem, não sendo aconselhável plantá-los em zonas que se mantenham húmidas durante a primavera, já que este tipo de ambiente frequentemente origina doenças relacionadas com as folhas e raízes do morango.

Não plante demasiado fundo, porque a planta terá dificuldade em originar novas folhas, nem demasiado à superfície porque dessa forma a planta terá dificuldade em emitir raízes.

Também nesta cultura, a antracnose poderá originar elevados prejuízos económicos. A doença pode manifestar-se em plantas de qualquer idade, mas ataca sobretudo os frutos em vias de amadurecimento, provocando lesões arredondadas e em depressão rosa-acastanhadas, constituídas pelas frutificações do fruto. Os frutos, que permanecem na planta ou no solo, acabam por mumificar e constituir a futura fonte de inóculo.

A Botritis cinerea, vulgarmente designada de podridão cinzenta, afeta todos os órgãos do morangueiro, desde folhas, caules, flores (pedúnculos e cálices) e frutos, embora os ataques sejam mais intensos durante a maturação dos frutos.

- Vinha

- Esca (Phaemoniella chlamydospora, Phaeoacremonium spp., Fomitiporia mediterrânea)

As videiras que estiverem muito infetadas ou tenham já secado durante o verão devem ser arrancadas. Pode-se tentar regenerar, pelo menos temporariamente, as videiras que apresentem ainda poucos sintomas.

Medidas preventivas:

- Faça a poda com tempo seco e sereno;
- Pode as videiras afetadas à parte, no final da poda;
- A poda deve ser moderada. Não deve fazer podas severas nas videiras afetadas. Não faça cortes extensos;
- Desinfete regularmente os instrumentos de poda com álcool;
- Se utiliza destroçador para a lenha de poda, deve triturar apenas as varas do ano (que não são portadoras dos fungos da esca) e retirar a lenha grossa para queimar;
- Se não usa destroçador, toda a lenha, com ou sem sintomas de esca, deve ser retirada do terreno e queimada. Caso se destine a consumo doméstico, deve ser armazenada em local abrigado da chuva, para impedir a dispersão dos fungos do complexo da esca, que se encontrem na lenha infetada.

- Escoriose europeia (BLACK DEAD ARM) (Botryosphaeria spp.)

Medidas preventivas:

- Podar o mais tarde possível, com tempo seco e eliminar os ramos secos;
- Podar em último lugar as plantas doentes;
- Queimar a lenha de poda;
- Proteger as feridas maiores com pasta fungicida (pasta cúprica);
- Aplicar um tratamento com produtos à base de cobre a seguir à poda;
- Em vinhas novas, as práticas culturais devem permitir a criação de uma estrutura de solo favorável, a grande profundidade, para assegurar o bom funcionamento hídrico da planta e diminuir as condições de stress;
- Eliminar as vinhas abandonadas.

De referir que o mês de janeiro é a altura do ano mais indicada para proceder à trasfega do vinho, a fim de eliminar borras, causadoras de doenças.

OPERAÇÕES CULTURAIS

- Preparação do solo

Janeiro é o mês das lavouras das terras e da preparação das culturas de inverno, a exemplo da batateira.

 

meteorologia previsoes (NOTA)

Nas culturas arbóreas e arbustivas, como os pomares e a vinha, a preparação do terreno para a instalação da cultura deve ser efetuada com base nos resultados do estudo do perfil do solo até à área potencialmente explorada pelas raízes.

Assim, pode-se determinar com maior rigor a aptidão do solo, necessidade ou não de mobilização profunda, drenagem e aplicação de corretivos orgânicos ou minerais.

A drenagem, quando necessária, deve ser efetuada antes da preparação do solo e da instalação das culturas. Proceder à abertura de valas, regos ou outras obras que se considerem vantajosas para evitar a estagnação da água das chuvas.

Nas culturas anuais, a preparação do terreno pode condicionar o seu sucesso, uma vez que influencia as condições do enraizamento profundo e largamente repartido no solo.

As técnicas e os equipamentos a utilizar dependem do material disponível, do teor de humidade do solo e das condições meteorológicas no momento da preparação do mesmo.

Regra geral, nunca se deve trabalhar um solo demasiado húmido, propício a fenómenos de compactação (formação de calo de lavoura), pelo que se deve diminuir o número de passagens de maquinaria agrícola, recorrendo a operações combinadas, que também terão influência na retenção de humidade na cama da semente.

Quando necessário, e tendo em vista a destruição de zonas compactadas, pode ser necessário a prática de mobilização profunda, de preferência sem reviramento de leiva.

Outras práticas de preparação do solo a ter em consideração são a sementeira direta ou a mobilização mínima do solo quando, por razões ambientais, seja necessário recorrer a um coberto vegetal durante o Inverno.

- Fertilização/fertirrega

A fertilização é a prática agrícola que consiste no fornecimento ao solo de adubos e/ou corretivos de modo a recuperar ou conservar a sua fertilidade, suprindo a carência de nutrientes e criando condições solo – planta favoráveis ao desenvolvimento das culturas vegetais.

A fertirrega, por sua vez, consiste na aplicação conjunta da água e dos elementos nutritivos, de acordo com as exigências das plantas.

Sendo o solo o principal meio onde as culturas vão buscar água e minerais; torna-se importante praticar uma fertilização racional, evitando os excessos de nutrientes e corrigindo as carências, de forma a proteger da poluição as águas superficiais e subterrâneas. Praticar a fertilização racional implica que o agricultor tenha conhecimento dos nutrientes necessários para a cultura, as quantidades mais adequadas, as melhores técnicas de aplicação e as épocas mais ajustadas; ou seja, deve proceder previamente à avaliação das necessidades de fertilização, de acordo com análises laboratoriais, que podem ser obtidas gratuitamente no Laboratório Agrícola da Madeira, situado na Camacha.

- Poda

A poda é uma operação cultural que deve realizar-se no período improdutivo das árvores e consiste na supressão de ramos, de acordo com o sistema de condução eleito.

A intensidade da poda depende da espécie, do cultivar/porta-enxerto, da produção do ano anterior e poderá ter lugar no Inverno/Verão, no sentido de manter o equilíbrio entre a vegetação e a frutificação. Deve permitir uma adequada iluminação e arejamento da copa e caracterizar-se por intervenções simples, sempre que possível em verde, com o mínimo de cortes.

É aconselhável a desinfecção do equipamento de poda, principalmente após a poda de uma árvore doente. Nos pomares em boas condições sanitárias é aconselhável a trituração, no local, dos resíduos da poda.

Nas figueiras, laranjeiras e macieiras os grandes cortes são prejudiciais.

- Controlo de infestantes

As infestantes podem ser controladas através de meios preventivos que permitem o bom desenvolvimento da cultura, tornando-a mais apta a fazer face à concorrência das infestantes:

• recurso a métodos culturais como, por exemplo, a rotação de culturas com plantas que concorrem com as infestantes, perturbando o seu ciclo biológico;
• adubações equilibradas;
• seleção adequada do equipamento de mobilização do solo, evitando a utilização de fresa, por exemplo, que favorece a multiplicação das infestantes que se propagam por via vegetativa (caules, rizomas, raízes…);
• o revestimento do solo com coberturas vivas (enrelvamento natural ou semeado) ou mortas ("mulching").

As infestantes também podem ser controladas através de meios curativos, que permitem controlar e eliminar as infestantes:

• métodos mecânicos, como a mobilização do solo ou o corte;
• métodos químicos, como a aplicação de herbicidas seletivos e não seletivos, estes os métodos mais utilizados, pelo amplo espetro de infestantes controladas, anuais e vivazes, e por ser de execução rápida, pela menor dependência de mão-de-obra e pelo seu baixo custo).

A prática de falsas sementeiras pode também ser de grande ajuda na prevenção da infestação por ervas espontâneas e consiste na preparação do solo algumas semanas antes da instalação da cultura, deixando nascer uma camada de ervas infestantes, que serão destruídas enquanto pequenas, por uma gradagem.

- Outras operações culturais

• Limpar as cepas até às raízes principais, descascando-se à mão ou com raspadores apropriados, as quais devem de seguida ser pinceladas ou pulverizadas com caldas ferro-cálcicas ou oleosas indicadas para o efeito. 
• Desinfetar as videiras que foram atacadas pela fumagina ou pelo algodão
• Conservar o jardim limpo, procedendo à apanha da folhagem caída e aproveitando-a com outros restos de plantas, ervas, detritos vários e cinzas para o fabrico de composto. Podar roseiras e outros arbustos, bem como árvores que não estejam em flor.

No final de cada dia de trabalho deposite o lixo nos locais próprios para o efeito.

Para mais informação relativamente à prevenção e/ou tratamento deverá contactar o seguinte serviço da Direção Regional de Agricultura:

Direção de Serviços de Desenvolvimento da Agricultura
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Telef.: 291 214 310

 

 

 

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