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Feira Nacional de Agricultura – Feira do Ribatejo - Uma Feira que são duas

FNA CARTAZPressupondo-se que aos interlocutores o assunto acorde emoções, especialmente paixões, quando entre numa conversa o tema a «agricultura» que é praticada pelas terras lusas, invariavelmente, mais tarde ou mais cedo a ela serão convocadas as palavras «Ribatejo» ou «Santarém».

Para os mais antigos, ainda a evocação do nome da antiga província («sempre constante nos discursos de auto e hetero-identificação», como bem refere a Wikipédia) conquistada à da Estremadura, enquanto para os mais contemporâneos, a alusão à denominação do distrito que se derrama pela Lezíria do Tejo e Médio Tejo. Ou ainda para estes últimos, mais assertivamente, a referência ao nome coincidente da cidade capital daquele vasto território, a belíssima Santarém.

Seja o orgulhoso Ribatejo, seja a mítica Escalábis, uns e outros não só se referirão à importância que a agricultura continua a assumir naqueles férteis terrenos de aluvião, mas igualmente ao que lá acontece, e é um acontecimento, todos os anos, mais precisamente há 61, a maior Feira sobre agricultura realizada em Portugal.


Diz a história que decorria o ano de 1954 quando, devido à notória falta de interesse pela Feira do Milagre, a Câmara Municipal de Santarém resolveu realizar a primeira Feira do Ribatejo. A Feira tinha um caráter marcadamente regional, tendo só estado presentes os concelhos do distrito.

Segundo Luísa Barbosa (1), «mais do que um momento lúdico, pretendia-se que a Feira do Ribatejo fosse uma oportunidade de mostra, compra e venda de produtos agrícolas, gado e máquinas agrícolas. Ainda assim, paralelamente, desenvolveram-se várias atividades relacionadas com a festa dos touros, dos campinos e do folclore. Esta iniciativa alcançou um sucesso tão grande que desde logo houve governantes a participar na inauguração e a duração inicial de oito dias passou para quinze».

Esta autora, mais adiante, refere «em 1962 realizou-se a nona edição da Feira do Ribatejo. Neste ano, à semelhança dos outros, para além da exposição agrícola e animal, decorreram atividades como touradas (uma das quais à antiga portuguesa), largadas de touros, corridas de cavalos, cortejos de trabalho e gincana automóvel», como mais se efetivou «mais uma edição do Festival Internacional de Folclore, que acontecera pela primeira vez em 1956, na qual se destacou a participação de um grupo da Hungria».

FNA1Mantendo a sua componente genuinamente ribatejana, ou escalabitana, pelos touros e o que estes envolvem, os garbosos campinos, o folclore e a gastronomia locais, a Feira do Ribatejo, em pouco mais de 10 anos foi adquirindo uma dimensão crescente, para ela fazendo convergir todo o setor agropecuário e agroalimentar portugueses. Daí que rapidamente tenha adquirido uma escala nacional e, em 1964, tenha passado a partilhar com o título de Feira do Ribatejo, o de Feira Nacional de Agricultura.

Estas duas feiras, que passaram a ser siamesas, foram explanando-se no Chã de S. Lázaro, que entretanto passou a ser denominado Campo Emílio Infante da Câmara, mas já há muito "rebentavam pelas costuras". Só então em 1994 transitaram para os 64 hectares onde foram implantadas as excelentes instalações do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, a cerca de 2 km da cidade de Santarém.

 

FNA 2013.3E retomando o que se tentou introduzir no primeiro parágrafo deste texto, de facto, quando numa conversa vem à colação a palavra «agricultura», é inevitável falar do duo Feira do Ribatejo/Feira Nacional de Agricultura, mas mais da segunda, do que da primeira.

Se a primeira, por simpatia com as tradições e as raízes, a segunda porque é, em cada ano, uma fotografia perfeita do estado (e "alma") da agricultura portuguesa.

Na verdade, na Feira Nacional de Agricultura, pelas empresas, e produtos que marcam presença, é espelhada a dinâmica e competitividade dos vários subsetores da agricultura e do agroalimentar portugueses.

E a 61ª Feira do Ribatejo/51ª Feira Nacional de Agricultura tem (ou "têm"- para os mais puristas) data marcada para o final desta semana, decorrendo de 7 a 15 de junho.

Comemorando o 20º aniversário no CNEMA, a Feira, de acordo com a sua organização, «volta a integrar o Salão Prazer de Provar que reúne no mesmo espaço os melhores vinhos, azeites, queijos, enchidos, méis, compotas, frutas, entre outros bens alimentares, a FERSANT – Feira Empresarial da Região de Santarém, numa parceria com a NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém e a Lusoflora de Verão – Exposição e Venda de Flores e Plantas de Portugal.

O certame terá patente uma exposição de maquinaria agrícola, equipamentos e serviços de agricultura, artigos comerciais, bem como a representação de associações e cooperativas do mundo agrícola».

Mais referem os organizadores que será também dado destaque ao sector florestal com uma área de exposição, apresentação e demonstração comercial dedicada aos interessados neste ramo, como ainda que «com uma ampla participação dos agentes do sector, quer como participantes (agricultores e técnicos) quer como organizadores (empresas e instituições), as "Conversas de Agricultura", vão continuar a ser o centro das atividades relacionadas com esta área».

O CNEMA, na apresentação do certame para este ano, explicita ainda que «a diversidade de espaços, a par das tradicionais zonas gastronómicas, de artesanato ou de venda comercial diversa, dão resposta a um conjunto bastante alargado de público que visita a feira, profissional ou consumidor final», como «a animação tradicional e popular será uma constante ao longo do evento.

Durante nove dias irá recriar-se um ambiente tradicional com Ranchos Folclóricos, Grupos de Música Tradicional, Grupos de Música Popular, Grupos de Acordeões, Cantadores ao Desafio, Danças, Sevilhanas, Danças de Salão, entre outros».

Registando uma média de cerca de 175 mil visitantes anuais, a Região Autónoma da Madeira, que já vem divulgando as produções agrícolas e agroalimentares regionais na Feira Nacional de Agricultura desde meados dos anos oitenta do século passado, uma vez mais assinalará a sua presença.

Assim, a Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, através da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, incumbir-se-á de assegurar a representação institucional das principais empresas regionais dos setores alvo, através de um stand próprio no Salão Prazer de Provar, certa de que excelente oportunidade de divulgação para obterem e/ou ampliarem negócios no mercado do continente português.

A representação regional deste ano apresenta várias novidades, por isso, o leitor esteja atento aos infomails que o DICA, desde 7 de junho e até ao termo da Feira, lhe remeterá.

 

(1) Barbosa, Luísa Maria Gonçalves Teixeira, Feira Nacional de Agricultura/Feira do Ribatejo: Retrospetiva 1954-1988, Santarém, 1988, Edição da Comissão Executiva da Feira Nacional de Agricultura/Feira do Ribatejo

 

Paulo Santos
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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