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XVII Festa da Cebola – este fim-de-semana no Caniço

cebola cartaz

 

Da próxima sexta-feira a domingo, mais precisamente de 16 a 18 de maio, o Caniço vai acolher a décima sétima edição da Festa da Cebola. Sob o abraço da sua magnânima e vetusta Igreja, benzida em 28 de outubro de 1783, o centro desta histórica localidade madeirense, do Largo Padre Lomelino imediatamente sobranceiro àquele templo, às ruas circundantes mais próximas, estará engalanado a preceito para celebrar esta especial cultura agrícola.

O Caniço, cujo nome supõe-se uma degenerescência da palavra "carriço" dado que, aquando da sua fundação, nos seus terrenos seria muito abundante a planta com aquela denominação, também chamada cana-brava, uma espontânea muito semelhante ao junco, é, sem qualquer dúvida, o mais antigo e (ainda) principal centro de cultivo de cebola na Região Autónoma da Madeira.

 

No «Elucidário Madeirense», de Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo Meneses, é taxativamente referido que «(...) o plantio da cebola quasi que na Madeira se restringia a esta freguesia (Caniço), sendo nela muito considerável a sua cultura», tendo chegado a «produzir 30.000 pesos (cada peso correspondia a 52 quilos), num valor aproximado de trinta contos de réis, destinados na sua quasi totalidade à exportação». Noutra das inestimáveis "enciclopédias" sobre as ilhas da Madeira e do Porto Santo, as «Ilhas de Zargo", o seu autor Eduardo C. N. Pereira mais corrobora ter esta cultura «primazia na produção a freguesia do Caniço», como «o tempo mais intenso da colheita realiza-se de Maio a Setembro, destinando-se a maior parte ao abastecimento das West-Índias (Antilhas ou Índias Ocidentais) e África portuguesa, num quantitativo aproximado de 500.000 e 1.600.000 quilos exportados de Maio a Novembro».

Também prova do significado e importância da cultura da cebola para o Caniço e suas gentes, é a nota do Tenente-coronel Alberto Artur Sarmento, na sua obra «Freguesias da Madeira», datada de 1953, que atesta que «(...) antigamente, quase todo o comércio se servia do cais da Ponta da Oliveira, construído em 1909, que o povo chamou – das Cebolas – por onde se fazia a grande exportação deste produto local».

Claro que, ao longo dos tempos, tudo evoluiu e muito, e de um meio caracteristicamente rural o Caniço, mais marcadamente a partir da década de oitenta do século passado, foi crescendo, quer em população, quer noutras áreas de atividade, caso particular do turismo, ou não tivesse sido erigido a Cidade em 2005, diminuindo naturalmente as áreas agrícolas e, necessariamente, as dedicadas ao plantio da cebola.

Ainda assim, mais de dois terços da área dedicada na ilha da Madeira ao cultivo desta liliácea (atualmente na ordem dos 86 hectares) estão concentrados no concelho de Santa Cruz e, neste, dominantemente nas terras férteis do Caniço.

Este fim-de-semana o Caniço merece plenamente ser (re)visitado. Os forasteiros terão a certa oportunidade, se já não o sabiam, de adquirir uma das melhores cebolas do mercado, com variedades genuinamente madeirenses como a «Pião», «Bujanico» e «Camacha».

Ao mesmo tempo, sem esquecer os "comes e bebes" típicos das festas madeirenses, os visitantes poderão desfrutar de um excelente programa de atividades, que inclui, além do cortejo alegórico de domingo, uma exposição de cebolas dos principais produtores da localidade, diversos stands institucionais, como ainda de um aliciante cartaz de animação, passando pela música tradicional e moderna, o desporto, e o humor.

Se é verdade que, quando se descasca cebola, poderá "chorar-se", na sua real aceção orgânica/física, a Festa da Cebola, quando se aproximar do seu termo, deixará a quem lá for a vontade de "chorar por mais".

 

Paulo Santos
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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