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XXIII Exposição Regional da Anona - este fim de semana no Faial

anona 2014 cartaz

É já este fim-de-semana, dias 8 e 9 de março, que vai acontecer a celebração anual de um dos frutos mais extraordinários que a natureza oferece, cujas singularidades são superiormente enaltecidas tendo por "casa" a Madeira.

Trata-se, como o título desta notícia não pode esconder, da anona, fruto que viajou das terras sul americanas e que, desde o século XVII, encontrou nesta ilha atlântica óptimas condições de vingamento e produção.

Como desde o primeiro festejo, a remontar para os anos 1990, a freguesia do Faial será a anfitriã, dado ter-se convertido num dos principais pólos produtores de anona, sem menosprezo pelos importantes núcleos daquela fruteira existentes no Funchal, Santa Cruz e Machico.

Aliás, as produções destas zonas juntar-se-ão às do concelho de Santana, com destaque para as faialenses, para formarem vários, só possíveis de ali observar, longuíssimos "comboios" de anonas, mais ou menos engalanadas (parcialmente envoltas numa manga de feltro protetor... ou não fossem autênticas "jóias"), em que as "carruagens" são as caixas que as acondicionam. As "linhas de ferro" serão as prateleiras que acomodam as embalagens das frutas, e por "estação" teremos toda a estrutura de madeira envolvida e envolvente, coberta por uma previdente rede de ensombramento.

Todos os anos, com mais ou menos "vagões" consoante a disposição do clima, aqueles "comboios" de tons verdes constituem-se como o elemento central da Exposição, e congregam a atenção, em muitos casos mesmo o espanto, do muito público que a visita, incluindo estrangeiros.

 

Além deste atrativo principal, orgulho dos agricultores que ali levam as suas melhores anonas que "o ano deu", em todo o perímetro do adro da vetusta Igreja do Faial arrumam-se stands de temática diversa, desde organismos oficiais a empresas que comercializam fatores de produção, incluindo um espaço para a principal entidade dinamizadora do evento, a Casa do Povo do Faial.

No palco cimeiro, nos dois dias do certame decorrerá diversa animação, sobretudo musical, da tradicional à moderna, a cargo de grupos de folclore, de canto e de bandas.

Os motivos de interesse não se esgotarão nestas exibições pois, como todas as "festas" madeirenses, nos arruamentos em volta do templo religioso, distribuir-se-ão vários espaços de venda de "comes e bebes", com evidência para os de carne para espetada, e os de bolo do caco. Também não faltarão numerosos estendais de comércio diverso, donde sobressaem os especializados em utilidades para o lar, vestuário e, claro, os indispensáveis brinquedos, mais ou menos sofisticados, e inevitável tentação para os mais miúdos, e um ou outro insuspeito adulto.

Este ano, em termos organizacionais, é novidade a criação da possibilidade de deslocação ao evento de autocarro.

De facto, numa parceria entre a Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais e a Horários do Funchal (a consubstanciar oportunamente num protocolo, dado envolver uma gama mais vasta de serviços – tema a desenvolver num dos próximos DICA), esta última empresa disponibilizará, quer na manhã do sábado, quer do domingo próximos, duas carreiras especiais de autocarro para o Faial e posterior retorno ao Funchal (consulte no póster do certame os horários e locais de partida/chegada).

Esta iniciativa visa proporcionar a quem não disponha de viatura própria a deslocação ao evento como, a quem a tenha, poder fazê-lo de uma forma igualmente cómoda, económica e, sobretudo, muito mais despreocupada. Se aos condutores responsáveis, esta "liberdade" permitir-lhe-á um maior, e justo, envolvimento com o "ambiente" de "festa", a redução da pressão automóvel sobre o local da realização da Exposição contribuirá, num propósito de sustentabilidade, para uma menor emissão de gases para a atmosfera, com as implicações nefastas sobejamente divulgadas.

ernesto leal
(Ernesto Leal)

Sobre as qualidades especiais da anona, da ordem do quase mágico, ou não se tivesse Mark Twain, que legou ao imaginário de tantas gerações personagens como Tom Sawyer e Huckleberry Finn, referido a esta fruta como "deliciousness itself", fomos buscar um trecho do conto "Tio, Ilha, Anonas e Estrelas" constante da obra "Em Jerusalém, o Canalizador", datada de 1991, de Ernesto Leal (1913-2005). Este ficcionista e autor dramático madeirense, que por esta terra nutria um grande amor («nunca ninguém teve mocidade mais cheia do que eu, que por nascer na Ilha fiquei milionário e príncipe»), naquele conto a linhas tantas escreve «...o tio cometeu a extravagância (como se fosse dia santo) de colher uma anona. Partiu-a ao meio e eu e ele comemo-la refastelados – a maravilha! O pudim da natureza!, a "sopinha doce", assim dizem os ingleses à falta de melhor nome».

Hoje, além dos "dias santos" a que se referia o contista Ernesto Leal, podemos prazentear-nos com Anona da Madeira muito mais vezes e sem constrangimento de qualquer espécie, quase sempre de novembro a abril e, por vezes, até maio de cada ano. Este fim-de-semana quem nutra paixão por este fruto tão particular, não poderá perder a Exposição Regional da Anona no seu atual santuário, no Faial. Qualquer desculpa para justificar uma não ida será certamente menos aceitável, pois até haverá serviço de autocarro da Horários do Funchal para aquela vila nortenha...

 

Paulo Santos
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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