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tanoeiro1Durante séculos, o ofício de tanoeiro, construtor de tonéis, pipas, barris e demais vasilhas em madeira para armazenar e transportar o vinho foi bastante importante devido à produção e ao comércio do vinho. Mais do que uma arte de produção de vasilhame, resistente às temperaturas e aos transportes, faz parte integrante da evolução, produção e qualidade dos vinhos.

No concelho de Machico chegaram a existir vários tanoeiros mas a profissão está agora em extinção e na freguesia de Machico subsiste apenas um tanoeiro, o Senhor José Franco Teixeira, que no sítio do Marco, Caramanchão, e com trinta anos de experiência, se limita apenas à reparação ou a adaptação destes recipientes para fins decorativos.

O conhecimento técnico era passado de geração em geração - o senhor José aprendeu o ofício com o Sr. António mas nunca ensinou esta profissão porque ninguém se interessou por ela e, como diz, "a profissão já não compensa": os barris importados para a região são a um custo muito inferior ao valor da madeira e já não se comercializa vinho como antigamente. Produz-se cada vez menos e "uma pessoa tem que fazer outra coisa, que lá à espera disto morre-se à fome".
Faz de "toda a qualidade de madeira" as várias vasilhas, desde os barris (50 litros), pipas (10 barris) ao tulo, tipo de barril pequeno mas mais comprido para transportar vinho às costas, que tinha capacidade para 45 ou 50 litros. Até para o mar, construía as balsas, baldes para tirar água.

Para armar uma vasilha é escolhida a madeira (castanho ou carvalho). As aduelas são talhadas para formar o bojo, "contrafia", as extremidades com menos um centímetro que o centro da aduela, arma-se com os arcos. Depois de levantado o barril, são aquecidas as aduelas com fogo, para as vergar até fechar, com a ajuda dos arcos.

De seguida, abre-se uma junta "zabro" nos pentes, parte mais estreita, onde se encaixam os fundos ou tampos. Pode acontecer que o barril verta pelos fundos ou pelas juntas. Em qualquer destes casos, empalham-se as fendas, com palha de bananeira. Tapa-se o barril com um torninho de cravelha de urze.

Usa como ferramentas várias enchós: a normal, a direita, a de goiva, a fechada e a de concha; serra e serrote; plaina de cavalete; compasso; trava de meia cana (para fazer o buraco da vasilha) e martelos. As vasilhas podem durar muitos anos desde que bem conservadas. Devem ser muito bem lavadas todos os anos e lhe dar mecha de queimar - mecha de enxofre - que evita o bicho da madeira e serve para desinfetar.

Grupo de Folclore de Machico
Recolha: Fátima Tremura e Ricardo Caldeira

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