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A Salmonelose

A salmonelose é uma infeção provocada por diferentes espécies do género Salmonella. O género Salmonella foi inicialmente caracterizado em 1885, pelo patologista Daniel Salmon, daí a denominação escolhida em sua homenagem.

A Salmonella é uma bactéria Gram-negativa pertencente à família das Enterobacteriaceae. Estas bactérias caracterizam-se por serem anaeróbias facultativas, em forma de bacilo, não formadoras de esporos e não encapsuladas, fermentam a glucose e descarboxilam aminoácidos, como a lisina. São urease e oxidase negativa. As formas móveis, na maioria, são flageladas sendo apenas a S. pullorum e a S. gallinarum não móveis.

Existem mais de 2.500 serótipos de Salmonella. Dois dos mais importantes serótipos do género Salmonella são a S. Enteritidis e S. Typhimurium, os quais são os mais frequentemente associados a doenças humanas.

A bactéria Salmonella é capaz de infetar o homem e uma grande variedade de espécies animais. A transmissão pode ser feita através do consumo e da ingestão de alimentos de origem animal contaminados. Por isso é importante proceder ao seu controlo.

  fig 1
Fig. 1 - Os aviários são alvo de controlos oficiais 
para deteção de Salmonella
  Fig 2
Fig. 2 – Colónias com centro negro e zona
levemente transparente e avermelhada em meio XLD

A pesquisa de Salmonella spp, realizada no Laboratório de Bacteriologia Clínica do Laboratório Regional de Veterinária e Segurança Alimentar (LRVSA), da Direção de Serviços dos Laboratórios e Investigação Agroalimentar, é efetuada no âmbito do Plano Nacional de Controlo de Salmonela - controlo oficial, segundo a metodologia descrita na Norma Internacional ISO 6579:2002 e Amd.1: 2007 (anexo D). Esta norma regulamenta a pesquisa de Salmonella em material fecal de animais (galináceos: bandos de frangos, bandos de reprodução, bandos de poedeiras, perus, suínos, ruminantes e pintos do dia) e também em amostras ambientais procedentes dos setores de produção primária.

Este método é um dos ensaios acreditados no LRVSA pelo IPAC e consta no anexo técnico L0509, como se pode verificar no site do IPAC, sítio de entidades acreditadas. Este método permite a obtenção de um resultado entre 3 a 5 dias.

 

A Salmonella spp forma colónias típicas em meios sólidos seletivos. Como a maioria das estirpes têm mobilidade, são cultivadas em meios semi-sólidos específicos para a avaliação de tal característica.

O método para pesquisa de Salmonella spp consiste em 4 fases:

a) Um pré-enriquecimento num meio líquido não seletivo (APT - água peptonada tamponada);

b) Enriquecimento num meio seletivo semi-sólido (MSRV - Modified semi-solid Rappaport Vassiliadis);

  Fig 3
Fig. 3 – Crescimento de colónias lilases em
meio Rapid Salmonella
  Fig 4
Fig. 4 – Testes bioquímicos de confirmação: meio de lisina, TSI e ureia

c) Sementeira em meios sólidos seletivos e identificação (XLD - Xilose Lisina Desoxycolato, Fig 2 e Rapid Salmonella, Fig. 3).

d) Confirmação bioquímica (Com API 20E ou a Carta VITEK GN ou, TSI - Triple sugar iron, meio de ureia e meio de lisina, Fig. 4) e serológica (Soro polivalente & Vi).

Após confirmação da positividade (presença de Salmonella spp), a estirpe é enviada para o Laboratório de referência (INIAV) para serotipificação (identificação do serótipo).

A colheita das amostras para a pesquisa de Salmonella spp é da responsabilidade das entidades remetentes como sejam os operadores do setor avícola e os serviços oficiais e é feito de acordo com o manual de procedimento para implementação do plano de vigilância e controlo de Salmonella spp da DGAV (Direção Geral de Alimentação e Veterinária).

Erica Pires
Direção Regional de Agricultura

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