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"O consumo habitual desta bebida, diz a experiência, assegura consideravelmente a saúde e a longevidade, mantendo os bebedores em plena força e vigor até idades avançadas"

(John Woldrige, 1676)

sidra2As palavras «sidra» e «cidra», sendo homófonas, quando escritas são muitas vezes incorretamente aplicadas. Enquanto a «sidra» é a bebida proveniente da fermentação de maçã com teor alcoólico entre 5 e 7% vol. (bebida com tradição no Santo da Serra e mais recentemente nos Prazeres e São Roque do Faial), a «cidra» é o fruto da cidreira, da família das Rutáceas (normalmente utilizada nos mais ricos bolos de Mel de Cana da Madeira).

Feita esta nota, foquemo-nos então sobre a «sidra», o fermentado de maçãs. Existem várias opiniões sobre a origem desta bebida. Se bem que todos os estudos refiram datar aos tempos anteriores a Cristo, uns autores reportam-na à civilização Egípcia (3000 a.C.), outros à civilização Grega (600 a.C.), enquanto também há estudiosos que atribuem-na aos Celtas (800 a.C.), onde já era conhecida uma bebida extraída de maçã. Terão mesmo sido estes últimos os grandes responsáveis pela sua expansão na Europa.

Atualmente, os países europeus com produção significativa de sidra são a França, a Espanha, a Bélgica, o Reino Unido, a Croácia, a Suécia, a Noruega, a Dinamarca e a Alemanha. É de salientar que a Espanha é o ainda único país em que esta bebida beneficia de uma denominação de origem (DOP) reconhecida pela União Europeia, zona das Astúrias, onde tem grande tradição.

Existem duas formas de servir a sidra: fria ou quente. A sidra fria poderá ser "natural" ou "gaseificada", com semelhança aos espumantes ou espumosos.

As sidras frias naturais são aquelas que se designam como tranquilas, ou seja, não existe gaseificação nem nenhuma fermentação alcoólica adicional, sendo apenas o produto resultante do final da fermentação alcoólica do sumo de maçã. Esta fermentação alcoólica poderá ser total (transformação total dos açúcares em álcool pelas leveduras) ou parcial (ficando ainda alguns açúcares residuais que não foram totalmente transformados em álcool).

sidra5A sidra resulta, assim, mais ou menos adocicada, de acordo com a maior ou menor quantidade de açúcares residuais.

A sidra fria gaseificada poderá ser com produção natural de gás carbónico (processo idêntico ao espumante), resultante de uma segunda fermentação alcoólica em que se dá a libertação de gás carbónico (CO2) ou com a adição de CO2 (processo idêntico ao espumoso).

Quanto às características organoléticas, no caso da sidra fria, podemos referir como atributos relevantes o ser fresca, leve e com elevado potencial aromático, dependendo das variedades de maçã utilizadas. No caso da sidra quente, o seu sabor e aroma são modificados pelo calor, passando a ter um aroma mais evidente de maçã cozida.

Para servir uma sidra fria, independentemente de ser natural ou gaseificada, a sua temperatura deverá ser de aproximadamente 5ºC, sendo como tal aconselhada para a época de calor, em que as bebidas de mais baixa temperatura têm um efeito (aparentemente) refrescante. A sidra fria pode ainda ser servida com adição de alguns outros produtos, tais como casca de limão e açúcar, ou com gelo, hortelã e açúcar.

No caso da sidra quente, a temperatura deverá ser idêntica à de um chá, sendo então indicada para dias frios. Muitas vezes, estas sidras quentes têm como base uma infusão de ervas e/ou especiarias.

A sidra tem vários efeitos benéficos para a saúde sendo, entre outros, um produto diurético, facilitador da digestão (eupéptico), antioxidante, inibidor de febre (febrífugo), anticatarral, antidiarreico, preventivo de enfartes e outras doenças cardíacas, protetor da arteriosclerose, anticancerígeno e cicatrizante.

Regina Pereira

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