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Sistemas Agroalimentares Locais (SAL): Um movimento em ascensão

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Os Estados Unidos da América são, por excelência, o país da produção agrícola em grande escala, especializada, intensiva, dominada pelo complexo agroindustrial e a grande distribuição, e plenamente integrada no sistema alimentar global. A América é, também, o país da chamada "fast food". Porém, neste país está em andamento um movimento que visa contrariar o poder do complexo agroindustrial e do sistema agroalimentar global. É um movimento fragmentado, desigual de espaço para espaço e no envolvimento de distintos grupos étnicos e sociais, que tende a juntar motivações e interesses diferenciados. Um dos seus slogans mais representativos é "Buy Fresh, Buy Local", traduzindo o incentivo ao consumo de produtos locais e o apoio à reconstrução e sustentabilidade de sistemas alimentares locais (Cristóvão e Tibério, 2009). Este movimento vai contra o sistema organizado globalmente, em que os alimentos percorrem grandes distâncias, são controlados por gigantescas empresas transnacionais e estão "embrulhados" em problemas sociais, ambientais e nutricionais. Para além de "local food" também se aspira a produzir "sustainable food", a partir do modo de produção biológico e de outras formas naturais que excluam o uso de químicos. As questões energéticas estão também no centro do debate e deseja-se reduzir o número de quilómetros percorridos pelos alimentos (Cristóvão e Tibério, 2009). Os objetivos centrais desta "nova" abordagem são de acordo com Cristóvão e Tibério (2009): i) a dinamização do consumo de alimentos produzidos localmente; ii) o estabelecimento de ligações diretas entre produtores e consumidores; iii) a revitalização de estruturas de produção, transformação e distribuição; iv) a construção de redes de relações entre produtores e governos locais, empresários e outros líderes; e v) a promoção da economia local e do desenvolvimento rural. Este tipo de movimentos, nascidos no Japão e Estados Unidos a partir da segunda metade do seculo XX, visam reconstruir sistemas alimentares de proximidade, ligando produtores e consumidores e têm-se expandido por várias zonas do globo, em particular no Sul da Europa, com especial relevo para França, Itália, Bélgica, Espanha e Portugal e América Latina (Brasil e Argentina).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Cristóvão, Artur. e Tibério, Luis. (2009). "Comprar Fresco, Comprar Local": Será que temos algo a aprender com a experiência americana? In Moreno, L., M. M. Sanchez e O. Simões (Coord.). Cultura, Inovação e Território, O Agroalimentar e o Rural, pp. 27-34. Lisboa: SPER.

Luís Tibério, Alberto Baptista e Artur Cristóvão
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Departamento de Economia, Sociologia e Gestão
Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento

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