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A cultura dos brócolos em modo de produção biológico

brocolos1A couve brócolo (Brassica oleracea L. var. italica Plenck) pertence à família das crucíferas e ao género brassica.

Esta couve desenvolve inflorescências verdes, centrais e compactas rodeadas por outras mais pequenas, que surgem após o corte da principal (Biggs, 1980).
A importância da cultura do brócolo tem aumentado devido ao interesse das indústrias de congelados, do mercado em fresco, da necessidade de rotação cultural, surgindo também como complemento económico das explorações (Frutas, Legumes e Flores, 1999).

Os brócolos podem ser cultivados ao longo de todo o ano, desde que utilizadas as variedades adequadas. No Inverno, no entanto, deve ser cultivado apenas em zonas de clima temperado e sem geadas. Precisam de humidade durante toda a estação de crescimento.

O solo deve ser franco, arenoso ou argiloso e também bem drenado, com pH neutro e que possua boa estrutura (por ex., sem uma camada superficial dura), dado que as raízes da planta são pouco profundas.

No modo de produção biológica os tratamentos culturais, a exemplo da preparação do solo, da fertilização, das mondas e da cobertura de solo, são realizados de forma diferente em relação à agricultura convencional.

Na preparação de solo, se houver cava do terreno, esta deve ser feita até 20cm de profundidade, de forma a haver arejamento e não se provocar quebra na estrutura do solo, procedendo à incorporação de composto, à abertura das covas e à colocação das plântulas.

No caso de não haver cava, a preparação do solo é reduzida ao mínimo, sendo feita apenas a abertura de covas, adicionando-se fertilizante e colocando-se a plântula.

 

O compasso a adotar situa-se entre os 50 e os 70cm na linha e os 50 a 60cm na entrelinha. É de salientar que é preciso ter em atenção o pH do solo. Um pH abaixo de 6-6,2 não permite uma boa formação, seja de uma cabeça ou grelo de brócolo.

De forma a poder haver maior controle de infestantes procura-se cobrir os solos com diversas matérias secas, como feiteira seca, serragem (aparas proveniente do corte das madeiras), casca de pinheiro, palha de cereais ou composto.

Por outro lado, procura-se encontrar algumas plantas que se possam utilizar como adubação verde e logo que se forme a flor faz-se o corte desta planta, cobrindo-se o solo e aproveitando também para fertilização. Há quem utilize as telas de cor escura para evitar a germinação de infestantes, mas estas devem ser usadas apenas em última instância, dados o seu elevado custo.

As mondas são quase na totalidade manuais, sendo esporadicamente realizadas mondas mecânicas em terrenos de maiores dimensões.

As pragas mais conhecidas neste tipo de cultura são a traça da couve, a mosca das raízes da couve, a lagarta rosca, o pulgão, as lesmas, os caracóis e a mosca branca.

Os fatores biológicos autorizados são as piritrinas, sendo o ferramol indicado para lesmas e caracóis. De salientar que existem meios de luta cultural biológica muito eficazes.

Quanto às doenças, de salientar a hérnia, o míldio das crucíferas e o oídio. No caso da hérnia da couve, a melhor das soluções é desenterrar e destruir as plantas atacadas, procedendo à rotação das culturas. Para o oídio, utiliza-se o enxofre, aplicado em horas de pouco calor, e para o míldio recomenda-se o uso de labicuper.

É aconselhável proceder à rotação de culturas de 6 anos entre todas as espécies Brassica e fomentar a atividade de insetos úteis para eliminar os afídeos. Porém, em terrenos como os da Região, sobretudo de pequenas dimensões e com necessidade de rentabilizar ao máximo, a rotação de culturas é feita de modo a que as pragas ou doenças não se habituem aos sítios onde são cultivados os brócolos.

Os rebentos devem ser colhidos enquanto as inflorescências ainda são pequenas e se encontram bastante fechadas. Se a colheita for demasiado temporã, os rebentos apresentam um peso menor. Por sua vez, os rebentos tornam-se muito abertos e de qualidade menos boa se demasiado tardia.

Os brócolos deterioram-se facilmente, pelo que devem ser comercializados no mais curto espaço de tempo após a sua colheita.

 

Guida Gouveia
Quinta do Mitra

 

Para mais informação relativamente ao controle das doenças ou pragas das culturas no âmbito da produção biológica deverá contactar o seguinte serviço da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural:

Direção de Serviços de Desenvolvimento de Agricultura e Pecuária Biológica
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Telef.: 291 744 190

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