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Passado, Presente e (que) Futuro da Agricultura Familiar na RAM - sessão 3

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A questão “Pode a Agricultura Familiar contribuir para uma melhor saúde da nossa população?” deu o mote à terceira e última sessão da conferência Passado, Presente e (que?) Futuro da Agricultura Familiar na RAM “Conhecer o presente”, com as intervenções do Eng. José Carlos Ferreira Marques, da Direção Regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural, com a questão “Será a agricultura biológica o caminho a seguir na agricultura familiar?”, do Prof. Miguel Ângelo Carvalho, da Universidade da Madeira, com o tema “Variedades regionais/antigas – um património da Agricultura Familiar que carece de inovação e valorização?”, e do Dr. Rui Silva, do SESARAM, com a pergunta, “Pode a Agricultura Familiar contribuir para uma melhor saúde da nossa população?”.

“Será a Agricultura Familiar um parceiro sustentável para a distribuição profissional?”, da responsabilidade da Dra. Regina Gouveia, do Modelo/Continente, e “Agricultura Familiar e Engenharia de Bioprocessos. De mãos dadas na RAM?”, da responsabilidade de Prof. Miguel Cardoso, da MadeBiotech/NatureXtracts, foram os temas que encerraram a terceira sessão.

Para o Eng. José Carlos Ferreira Marques, “emergem novas oportunidades para os agricultores que utilizam o conhecimento e a biodiversidade em substituição de inputs externos, que consomem grandes quantidades de energia, pelo que a questão “será a agricultura biológica o caminho a seguir?” (…) “já não se coloca” e “a pergunta deverá ser “Como promover a agroecologia e quais as barreiras e obstáculos que dificultam os avanços?”.

O Prof. Miguel Ângelo Carvalho considera que “a Agricultura Familiar conseguiu manter estas variedades [antigas] na produção agrícola e os seus agricultores transformaram-se nos guardiães de um património genético considerado fundamental para solução de vários desafios globais que visam garantir”, entre outros, “a segurança alimentar e produção de alimento para a Humanidade ou a sustentabilidade da agricultura e a adaptação de culturas e sistemas agrícolas às alterações climáticas”, permitindo ainda “associá-las a esquemas de valorização que visem diferenciar as produções locais e aumentar o seu valor económico”. 

Para finalizar, disse que “na RAM este processo de valorização das variedades regionais ainda está a dar os primeiros passos e carece de uma estratégia sistemática de inovação. Alguns exemplos demonstram as potencialidades desta estratégia, nomeadamente as batatas (semilha) antigas francesa e batateira, a variedade de milho Santana, a transformação industrial da batata-doce ou as variedades de feijão”.

Em seguida, o Eng. Aníbal Ramos trouxe a debate, sobre um prisma de desenvolvimento sustentável, as vantagens e/ou inconvenientes de trabalhar com a agricultura dita familiar, refletindo ainda sobre as ameaças, oportunidades e desafios que podem resultar da relação entre a distribuição moderna e a Agricultura Familiar na Madeira.

 

"A RAM, com o seu e clima favorável ao cultivo de produtos agrícolas reconhecidamente saudáveis, permite oferecer à população uma importante variedade de vegetais e frutas, contribuindo assim para o desenvolvimento e manutenção de uma prática alimentar consentânea com as nossas origens. A sua orografia estimula a organização de explorações de tipo familiar, proporcionando às famílias uma fonte de rendimento regular justificando largamente o relevo que esta atividade está a merecer das entidades responsáveis" foi, por sua vez, a mensagem deixada pelo Dr. Rui Silva.

Naquela que foi a última intervenção, o Prof. Miguel Cardoso transmitiu aos participantes que "os produtos agrícolas e hortofrutícolas produzidos na RAM são considerados, por várias autoridades internacionais, como possuidores de características organolépticas únicas" e que a engenharia de bioprocessos pode ajudar a vencer as limitações provocadas pela insularidade e fazer com que os produtos da Agricultura Familiar não tenham que competir pelo preço na RAM mas passem a concorrer pela sua qualidade e exclusividade no mundo inteiro, num mercado onde o custo não é o fator determinante".

Depois, "À conversa com" António Lourenço, produtor de hortícolas; Eng. Guida Gouveia, produtora biológica; Ezequiel Vieira, empresário na área da transformação de produtos agrícolas; Dr. Bruno Sousa, nutricionista do SESARAM; e Dr. Vítor Castro, da Associação de Jovens Agricultores da Madeira e do Porto Santo, foi a oportunidade para um debate muito participado sobre o tema, moderado por Luís Reis, jornalista da RTP.

sess3.3Para finalizar, ao Eng. Pedro Serrano, da AGROGES, coube fazer as conclusões da conferência, estruturadas em três eixos distintos: fragilidades, potencialidades e desafios da agricultura familiar na RAM.

As fragilidades, que têm a ver sobretudo com o envelhecimento da população, a menor formação, não obstante esta última revelar um aumento tendencial nos últimos anos, e uma maior dependência comercial, podem ser, ainda assim, potencialidades a longo prazo, nomeadamente através da conservação e transmissão de todo um conjunto de conhecimentos fundamentais para as gerações vindouras, tornando a agricultura familiar menos susceptível às conjunturas menos favoráveis.

Para o futuro, os maiores desafios traduzem-se na capacidade de rejuvenescimento e, em simultâneo, na maior facilidade no acesso à terra, ao conhecimento e à inovação.
A diferenciação, associada à origem, e a concentração da oferta, para uma maior capacidade negocial, são outros dois desafios para a sustentabilidade da agricultura familiar.

A agricultura familiar, que em muito ultrapassa a agricultura de subsistência, será, então, e dadas as suas características, não só a guardiã de toda uma herança cultural que importa preservar como também uma oportunidade para dinamizar as economias locais, contribuindo assim para o bem-estar geral.

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