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A produção de coelhos

producao de coelhos1 A produção cunícola tem vindo a registar nos últimos anos um incremento significativo em numerosos países, como consequência dos progressos técnicos e científicos conseguidos a nível industrial. No entanto, Portugal é um país deficitário na produção de carne de coelho, sendo a Espanha o nosso fornecedor natural, quer pela proximidade quer pelo facto de serem excedentários.

Atualmente, na Região Autónoma da Madeira não existem explorações ativas de dimensão industrial, havendo apenas algumas de pequena dimensão, cuja produção destina-se a autoconsumo.

As características da carne de coelho representam vantagens apreciáveis para o consumidor, devido ao seu elevado teor em proteína e baixo teor em colesterol e gordura. É pois uma carne bastante saudável, podendo ser consumida sem restrições pelo Homem. A cozinha tradicional portuguesa contempla numerosos pratos, bastante apreciáveis.

A domesticação do coelho iniciou-se há cerca de três séculos atrás. O coelho doméstico pertence à espécie Oryctolagus cuniculus domesticus e é criado ou mantido em cativeiro com vista à sua seleção, multiplicação, ou produção de carne, pêlo ou pele.

producao de coelhos2 É um animal ansioso e muito sensível aos fatores de stress que poderão originar taxas de mortalidade indesejáveis. Tem uma elevada prolificidade e um ciclo reprodutivo curto, variável segundo a intensidade de exploração, podendo considerar-se como economicamente rentável. As peles e o estrume resultantes desta atividade constituem também boas fontes de rendimento.

Para o êxito de uma exploração cunícola o produtor deverá ter como principais objetivos técnico-económicos, os seguintes:

- 6-7 partos/fêmea/ano e 6-8 láparos/ninhada;

- Peso vivo às 8-10 semanas de 1,8 a 2,3 Kg;

- Índice de conversão alimentar de 3,5;

- Rendimento de carcaça de 50-60%;

- Carcaça bem conformada.

 

producao de coelhos3

Para atingir estes parâmetros, é necessário garantir boas condições higio-sanitárias e de bem-estar animal (ventilação, temperatura, humidade, luminosidade, etc.), bem como um programa alimentar e reprodutivo adequado. Uma ventilação eficaz permite a entrada no pavilhão de ar rico em oxigénio e a saída de gases tóxicos (CO2, amoníaco, etc.), reduz as poeiras e os microorganismos, elimina o excesso de humidade (60-70%) e mantem a temperatura ambiental desejada (18ºC). A luz artificial desempenha um papel primordial no sector de reprodução, devendo proporcionar-se uma intensidade de 4-5 watts/ m2, durante 15-16 horas diárias.

A implantação de uma exploração deste tipo deverá ter em conta as facilidades de acesso e de escoamento da produção, de abastecimento de água potável e de energia eléctrica, o afastamento de outras explorações pecuárias e estar numa zona sossegada, livre de ruídos intensos ou de qualquer outro tipo de poluição. Um outro aspecto importante relaciona-se com a orientação e o isolamento térmico das instalações a construir, devendo os topos ficar virados para os ventos dominantes e no sentido Este-Oeste.

Os reprodutores devem ser alojados em jaulas individuais, de preferência em ferro galvanizado, de modo a facultarem conforto aos animais, simplificar as operações de limpeza e desinfecção, permitir um maneio alimentar mais adequado e evitarem-se os riscos de contágio das doenças infecto-contagiosas e das parasitoses.

Para o êxito de uma exploração de coelhos é fundamental a escolha dos reprodutores, nomeadamente do macho, pois ao cobrir várias fêmeas, irá transmitir à descendência as suas caraterísticas genéticas e exercer uma influência considerável no efetivo. Quanto à seleção de fêmeas reprodutoras, esta poderá ser realizada na própria exploração, reservando para esse fim as que forem saudáveis, boas mães, com lactação abundante e ninhadas numerosas, de crescimento rápido e bons índices de conversão.

A duração da gestação é de aproximadamente 31 dias, variando consoante o número de fetos. O ninho é um acessório muito importante ao proporcionar às reprodutoras a comodidade necessária para amamentar as ninhadas e ao permitir a vigilância dos láparos. Deverá ser colocado na jaula ao 25º dia após a cobrição, de modo a que as fêmeas se habituem à sua presença e possam prepará-lo para o parto. Normalmente o desmame ocorre entre os 28 e os 30 dias.

O peso ideal de abate está compreendido entre os 2 e os 2,5 Kg de peso vivo, geralmente atingidos dos 2 aos 3 meses de idade nas estirpes selecionadas para carne.

A título de exemplo, a produção anual estimada numa exploração com um efetivo de 100 fêmeas reprodutoras, será de aproximadamente 7.140 kg de carne, considerando o ciclo produtivo de 7 partos por fêmea/ano e 7 láparos por ninhada, sendo que o peso vivo médio/coelho às 10 semanas de idade é de 2,470 Kg e que o rendimento de carcaça é de 59%.

 

Pedro Fontes Sampaio
Divisão de Proteção Veterinária e Pecuária
Direção Regional de Agricultura

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