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O que é o Fomento Pecuário?

fomento pecuario Segundo o Dr. Manuel Romão Boavida, médico veterinário, primeiro diretor da Feira de Gado do Porto Moniz, distinto professor de Economia Rural da saudosa Escola Superior de Medicina Veterinária, “Fomentar é trabalhar para que se produza mais e melhor; fomentar é enriquecer-se de experiência, enriquecendo materialmente; fomentar é lutar com inteligência por uma vida mais bela, mais digna e mais humana; fomentar é engrandecer o património do país, torná-lo mais próspero, mais fecundo e mais rico.”

Fomenta-se a higiene – através da vulgarização de boas práticas de maneio dos animais e dos produtos de origem animal, do licenciamento das explorações, através do uso de meios como a identificação animal, que permita a rastreabilidade dos mesmos e dos seus produtos, do licenciamento das indústrias agroalimentares onde eles são transformados, através da inspeção sanitária nos matadouros, da implementação dos programas de controlo e pesquisa de resíduos, etc.

 

Fomenta-se a sanidade - através de programas de controlo de doenças, com particular incidência para as zoonoses, ou seja, aquelas que são transmissíveis ao ser humano, como a Brucelose, a BSE, a Salmonelose, entre outros.

Fomenta-se zootecnicamente - testando as raças mais capazes e com melhor adaptação às condições de criação locais; cedendo animais de comprovada qualidade à lavoura; possibilitando o seu acesso às melhores técnicas de reprodução, como a inseminação artificial, usando para tal os meios e estruturas dos centros zootécnicos, as exposições e concursos de gado, etc.

Este conceito de “fomento”, teve grande importância no nosso país e nomeadamente na nossa Região, na segunda metade do século XX, mas com a adesão à Europa dos excedentes agrícolas e do comércio livre, tem-se vindo gradualmente a esquecer a nossa enorme dependência do exterior no que respeita ao abastecimento de produtos alimentares, da necessidade de fixar a população rural dando-lhe condições de sustentabilidade e a condição de região periférica e atlântica que a Madeira possui e na necessidade de assegurar o seu sustento, em caso de surgir algum conflito transnacional ou mesmo nacional, como a recente greve dos estivadores do porto de Lisboa.

Neste contexto e recordando as sábias palavras do mencionado médico veterinário, no fomento pecuário “…fazem-se, ainda, fomentos de natureza económica, social e política, que todos eles cabem nos já referidos, quando, em certos aspetos os não transcendem.” 

João Carlos dos Santos de França Dória
Direção Regional de Agricultura
Direção de Serviços de Alimentação e Veterinária

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