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A avaliação do bem-estar animal na produção de frangos de carne

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 Escala de gravidade das DAP (imagem retirada do Manual de “Avaliação dos parâmetros de bem-estar dos frangos no matadouro”, da DGAV)

Nos últimos anos, tem se registado, por parte da sociedade, uma crescente preocupação pelo bem-estar animal (BEA), sendo mesmo este fator considerado, por muitos consumidores, como um pré-requisito da qualidade alimentar. Esta preocupação tornou cada vez mais evidente a necessidade de avaliar e monitorizar as condições de bem-estar na produção animal, especialmente em sistemas de produção intensivos, levando ao estudo de diferentes parâmetros de avaliação e à elaboração de diversa legislação nesta matéria, a nível europeu e nacional.

No que diz respeito à produção de frangos de carne, a União Europeia estabeleceu as regras mínimas para a proteção destas aves de capoeira, através da Diretiva 2007/43/CE do Conselho, de 28 de junho, a qual foi transposta para a ordem jurídica nacional através do Decreto-Lei n.º 79/2010, de 25 de junho.

Esta Diretiva estabeleceu um conjunto de disposições relativas à proteção dos frangos de carne para consumo humano nos locais de criação, tendo em consideração o equilíbrio entre o bem-estar e a saúde dos animais e o impacto ambiental desta produção, sem desprezar preocupações de ordem económica e social. Assim, consoante a densidade animal praticada nos pavilhões, a legislação em vigor estipula um conjunto de requisitos a nível dos pavilhões, entre os quais, requisitos referentes à alimentação, abeberamento, controlo ambiental, registos, limpeza e desinfeção. Complementarmente, a legislação estabelece o sistema de avaliação do bem-estar dos frangos a nível do matadouro. Todos os bandos de frangos que se destinem ao matadouro, criados em núcleos de produção intensiva de carne, com mais de 500 frangos, têm de ser sujeitos a uma avaliação sistemática dos parâmetros de bem-estar, pelo Médico Veterinário Oficial (MVO) destacado no matadouro.

 

Os parâmetros de avaliação do bem-estar atualmente monitorizados em matadouro são as taxas de mortalidade na exploração, a taxa de mortalidade no transporte e os resultados da inspeção sanitária post-mortem, que permitem identificar problemas de bem-estar na exploração. Relativamente a este último parâmetro, e a título exemplificativo, existe um conjunto de lesões e de processos patológicos que são identificados pela equipa de inspeção sanitária, que podem ser indicadores do comprometimento do bem-estar dos frangos na exploração durante o seu ciclo produtivo. De seguida, algumas das lesões/processos tidos em consideração:

- Dermatites de contacto – como as dermatites das almofadas plantares (DAP), que constituem importantes indicadores da existência de camas de má qualidade na exploração (tipo de material de cama, a profundidade da cama, o tipo de pavimento, o maneio da cama, a densidade animal, etc.) e que podem indicar a ocorrência de um excesso de amoníaco durante o período de produção dos animais;

- Aerosaculites (que podem estar associadas à doença respiratória crónica – CRD) – que apresentam como fatores predisponentes, entre outros, falhas na produção a nível do aquecimento, ventilação, densidade e estado da cama;

- Ascite – que pode resultar da ocorrência de diversos condicionalismos na produção, especialmente em relação à ventilação e à concentração de dióxido de carbono;

- Lesões articulares – que podem estar associadas à presença de soluções de continuidade podais ou a desequilíbrios nutricionais;

- Caquexia e emaciação – cujas causas são várias, por exemplo, infeciosas, em que a condição decorre na sequência de doenças prolongadas, má nutrição ou fome de fatores que impossibilitem o animal de se alimentar.

Este sistema de monitorização assenta, assim, numa troca de informação entre as explorações, o MVO e a respetiva Direção de Serviços, a nível regional, a Direção de Serviços de Alimentação e Veterinária, permitindo obter um historial das explorações, em particular do bem-estar e saúde dos frangos a nível dos pavilhões, conduzindo a uma atuação a este nível, sempre que os resultados no matadouro sejam repetidamente insatisfatórios.

Maria Elizabete Caldeira de Deus
Médica Veterinário
Direção Regional de Agricultura

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